"Há livros de que apenas é preciso provar, outros que têm de se devorar, outros, enfim, mas são poucos, que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir"Francis Bacon
segunda-feira, julho 7
Conselho de Bacon
Londres veste seus bancos de literatura
Londres é cenário para uma quantidade de
histórias de ficção clássicas, mas apenas agora concretiza literalmente esses
livros na cidade. Como parte de uma campanha de alfabetização promovida pelo National
Literacy Trust and Wild In Art, foram espalhados até setembro por diversos
pontos 50 bancos decorados para representar grandes títulos na história da
literatura britânica. Os bancos serão leiloados no dia 7 de outubro para
arrecadar fundos para o National Literacy Trust.
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"Mary Poppins", de P. L. Travers
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| "Origem das Espécies", de Charles Darwin |
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"As aventuras de Sherlock Holmes", de sir Arthur Conan Doyle
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"O leão, a feiticeira e o guarda-roupa", de C. S. Lewis
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| "1984", de George Orwell |
Veja mais em http://www.booksabouttown.org.uk/
'Mein Kampf' deve permanecer banido
Políticos alemães zelam para que impressão do manifesto nazista permaneça proibida, mesmo depois de ele cair em domínio público. Historiadores se empenham por uma edição comentada, em nome do esclarecimento.
Há anos um debate exalta os ânimos na Alemanha:
deve-se permitir que Mein Kampf(Minha luta), o manifesto escrito pelo ditador
nacional-socialista Adolf Hitler, volte a ser impresso e vendido no país? E,
caso negativo, há pelo menos a possibilidade de uma edição histórico-crítica?
Seja entre os deputados do Bundestag, no Conselho
Central dos Judeus na Alemanha ou na Associação dos Historiadores Alemães
(VHD), o tema volta a suscitar debate. Pois em 2015, portanto 70 anos após a
morte do autor, encerra-se a proteção a seus direitos autorais em toda a
Europa. Assim o livro de Hitler entra em domínio público, podendo, em
princípio, ser reproduzido e distribuído por qualquer pessoa.
Na mais recente conferência dos secretários estaduais
de Justiça alemães, a questão foi debatida e se chegou a uma decisão:
independentemente da questão dos direitos autorais, a publicação da obra será
proibida com base em normas legais já existentes, tanto de proteção à
Constituição alemã como contra a discriminação de minorias.
sábado, julho 5
Um filme e um livro
O filme espanhol “Marcelino Pão e Vinho”, dirigido por Ladslao Vajda, com o pequeno ator Pablito Calvo, como personagem central, foi baseado no famoso livro homônimo escrito por José María Sánchez Silva. Reconhecido nos mais importantes festivais de cinema, o filme foi um grande sucesso popular ao redor do mundo, arrebatando grandes bilheterias e levando multidões às salas de cinema da época, inclusive no Brasil.
Pardais novos
Um dia o
meu telefone, instalado à cabeceira de minha cama, retiniu violentamente, às
sete da manhã. Estremunhado tomei do receptor e ouvi do outro lado uma voz que
dizia: Mestre, sou um pardal novo. Posso, ler-lhe uns versos par que o senhor
me dê a sua opinião?
Ponderei
com mau humor ao pardal que aquilo não eram horas para consultas de tal
natureza, que ele me telefonasse mais tarde. O pardal não telefonou de novo:
veio às nove e meia ao meu apartamento.
Mal o vi, percebi que não se tratava de pardal novo.
Ele mesmo como que concordou que o não era, pois perguntando-lhe eu a idade,
hesitou contrafeito para responder que tinha trinta e cinco anos. Ainda por
cima era um pardal velho!
Desde esse dia passei a chamar de pardais novos os rapazes que me procuram para mostrar-me os seus primeiros ensaios de voo no céu da poesia. Dizem eles que desejam saber se têm realmente queda para o ofício, se vale a pena persistir, etc. Fico sempre embaraçado para dar qualquer conselho. A menos que se seja um Rimbaud ou, mais modestamente, um Castro Alves, que poesia se pode fazer antes dos vinte anos? Como Mallarmé afirmou certa vez que todo verso é um esforço para o estilo, acabo aconselhando ao pardal que vá fazendo os seus versinhos, sem se preocupar com a opinião de ninguém, inclusive a minha.
A semana passada recebi carta, não de um pardal, mas de uma pardoca. De urna pardoquinha. Com dezesseis anos, que beleza! Mandava-me versos não só em português, mas em francês também e inglês. Havia qualquer coisa naqueles balbucios. O francês estava bem erradinho, mas o inglês não, e até saiu bonitinho. Respondi-lhe assim:
Dos poemas que você me mandou o melhor está no próprio texto de sua carta e é isto:
Tenho dezesseis anos
Estou cursando o 1.° cientificoDesde esse dia passei a chamar de pardais novos os rapazes que me procuram para mostrar-me os seus primeiros ensaios de voo no céu da poesia. Dizem eles que desejam saber se têm realmente queda para o ofício, se vale a pena persistir, etc. Fico sempre embaraçado para dar qualquer conselho. A menos que se seja um Rimbaud ou, mais modestamente, um Castro Alves, que poesia se pode fazer antes dos vinte anos? Como Mallarmé afirmou certa vez que todo verso é um esforço para o estilo, acabo aconselhando ao pardal que vá fazendo os seus versinhos, sem se preocupar com a opinião de ninguém, inclusive a minha.
A semana passada recebi carta, não de um pardal, mas de uma pardoca. De urna pardoquinha. Com dezesseis anos, que beleza! Mandava-me versos não só em português, mas em francês também e inglês. Havia qualquer coisa naqueles balbucios. O francês estava bem erradinho, mas o inglês não, e até saiu bonitinho. Respondi-lhe assim:
Dos poemas que você me mandou o melhor está no próprio texto de sua carta e é isto:
Tenho dezesseis anos
E fico eufórica sempre que escrevo algo.
Se você se sente eufórica quando escreve alguma coisa, vá continuando a escrever, pelo só prazer de escrever, que já não é pouco.
Dezesseis anos! Que idade risonha e bela, não, leitores?
Se você se sente eufórica quando escreve alguma coisa, vá continuando a escrever, pelo só prazer de escrever, que já não é pouco.
Dezesseis anos! Que idade risonha e bela, não, leitores?
Manuel Bandeira
sexta-feira, julho 4
Casa de Orwell vira museu
Como são feitos e o que há neles
Um
livro é como um outro quarto, ou outra cidade, ou outro mundo. É como um amigo,
pois quando você o lê sente que está perto de alguém. É cheio de surpresas,
sentimentos e aprendizado sobre como é ficar mais velho e amar todas as coisas
realmente importantes. A definição é dos americanos Murray McCain e John Alcorn
e aparece fragmentada em Livros! (Pequena
Zahar), lançado originalmente em 1962. A obra divertida para crianças fala
sobre o que é e como é feito o objeto com de McCain e as ilustrações de Alcorn,
um dos principais nomes do design gráfico.
Os autores perguntam ao leitor: "Ele fala com você? Que sensação ele dá?". Explicam que eles têm o lado de fora e o lado de dentro, contam que podem ser de vários tamanhos, usar diferentes tipos de letras. Explicam que para chegar até o leitor, os exemplares passam pelas mãos de gráficos, caminhoneiros, livreiros, carteiros, etc. Apresentam listas de palavras difíceis, alegres, engraçadas, para pensar e de tudo o que podemos encontrar dentro dos livros: magos, ervilhas e princesas, navios de guerra, botos namoradores, etc.
Os autores perguntam ao leitor: "Ele fala com você? Que sensação ele dá?". Explicam que eles têm o lado de fora e o lado de dentro, contam que podem ser de vários tamanhos, usar diferentes tipos de letras. Explicam que para chegar até o leitor, os exemplares passam pelas mãos de gráficos, caminhoneiros, livreiros, carteiros, etc. Apresentam listas de palavras difíceis, alegres, engraçadas, para pensar e de tudo o que podemos encontrar dentro dos livros: magos, ervilhas e princesas, navios de guerra, botos namoradores, etc.
Mann será todo reeditado
A obra
ficcional completa de Thomas Mann (1875-1955), um dos principais nomes da
literatura do século 20, será publicada pela Companhia das Letras a partir do
ano que vem, informou a coluna Painel das Letras. A editora vai iniciar a série
de reedições do escritor alemão, vencedor do prêmio Nobel em 1929, com alguns
de seus principais livros: A montanha mágica, Morte em Veneza, Tonio Kröger,
Doutor Fausto e As confissões de Felix Krull. Para os próximos anos, a
Companhia planeja uma coletânea de contos e a adaptação de algum romance para
HQ, a ser realizada por um quadrinista brasileiro.quinta-feira, julho 3
O analfabetismo para crianças
Por
mais que, para muitos, não faça mais parte da realidade, o analfabetismo no
Brasil ainda é assustador. Relatório recente da Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que o Brasil aparece em
8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos, entre 150
países avaliados. Além disso, a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (Pnad), feita pelo IBGE em 2012, mostra que a taxa de analfabetismo
de pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões
de analfabetos no país.
E é
justamente esse tema tão sério que a escritora Simone Paulino leva para as
crianças em sua nova obra “O Sonho Secreto de Alice” (Editora
DSOP). Nela
Simone conta a vida de uma garota esperta, que quando criança trabalhava na
roça, com os pés no chão. No entanto, gostava mesmo era de viver nas alturas.
Ela cresce, se casa, tem filhos, netos e bisnetos, realiza alguns sonhos,
outros não, e em meio a tudo isso guarda um grande segredo escondido em
pedacinhos de papel espelhados por sua casa.
Alice representa a história de milhões de brasileiros que apesar das
dificuldades e limitações impostas pela vida, não deixam nunca de sonhar e realizar.
O livro que trata de sonho não material e propicia aos leitores o
contato com uma questão real e comum que é o direito à educação e à própria
condição de poder sonhar.
Além
do conteúdo instigante, a beleza gráfica encanta os pequenos leitores, criando
uma sintonia que faz com que a cada virar de página fosse com se abrisse uma
caixa e encontrasse outra dentro dela e assim por diante, conduzindo o leitor a
um outro mundo, onde quatro palavrinhas são de extrema importância: descobrir,
sonhar, orientar e pensar!
MCDONALD’S, 1973
Então, morri. Não sei muito bem como. Talvez
dormindo. Ou atravessando a rua. De uma coisa tenho certeza: meu projeto de
chegar aos 85 anos naufragou. Não alcancei sequer a metade. Mas tudo bem. Morrer
não me parece algo tão catastrófico. É apenas deixar de existir. Antes eu não
estava aqui e o mundo seguia célere em suas loucuras diárias. Agora, seguirá da
mesma maneira. Indiferente a menos um corpo a percorrer a rua deserta. É
possível que eu sobreviva mais alguns anos. Poucas pessoas ainda irão se
lembrar de mim com amor, ódio ou indiferença. Depois de um tempo, o esquecimento
completo. Aí, estarei bem morto. Será rápido. Dúvida não há. Os testamentos e
balanços de uma vida inteira sempre me pareceram ridículos. Mas quando se está
morto, eles são inevitáveis.
Leia mais o texto de Rogério Pereira
De bens
materiais, deixo apenas meus livros. São de meus filhos. Não se preocupem com
esta tranqueira toda — o farto banquete para traças gordas, larápias e
mal-acostumadas. Estão livres para vender a um sebo (de boa qualidade, por
favor) ou incinerar. Minha biblioteca dará uma bela fogueira. Há de calcinar
todas as vaidades, principalmente as minhas, que de nada serviram em vida. Na
morte, nada faz diferença. Os vermes se alimentam de carne; não de papel. Por
sorte, tenho pouca carne a lhes oferecer. Se fartarão rapidamente. E me
deixarão em paz com meus ossos na escuridão pacífica do caixão. Se fui
magricela em vida, serei cadavérico em morte. Sempre é possível afinar a
silhueta. As coleções — coisas banais como marcadores de páginas, postais,
figurinhas de jogadores de futebol, canecas, miniaturas de garrafas e de carros
—, enviem-nas à reciclagem. Minhas obsessões podem se transformar em algo menos
inútil.
quarta-feira, julho 2
Os conflitos de um superdotado
Milu Leite faz uso da metalinguagem e traz de volta personagens de livro
premiado com o
Jabuti em 2006. Bernardo, um adolescente superdotado, vive as
descobertas e os conflitos de alguém que não encontra lugar em seu meio e
se refugia na literatura, escrevendo uma história cujos personagens são
inspirados em um grupo de jovens que ele observa da janela de seu apartamento.
Em “O dia em que b apareceu” (Editora Biruta), a escritora e jornalista Milu
Leite traz uma novela policial que lança mão da metalinguagem para falar da
forma como uma obra pode ser escrita: em duas narrativas que ocorrem simultaneamente.
Seu primeiro grande achado é utilizar os mesmos
personagens de “O dia em que Felipe sumiu”, seu livro anterior, que será
relançado no segundo semestres e ganhou em 2006 o Prêmio Jabuti na categoria
Juvenil , numa história escrita por Bernardo (o mencionado b do título), agora
sob a óptica de um autor- narrador-personagem revelado em sua intimidade. A
história contada por b gira em torno da investigação empreendida pelos amigos
Dora, Hipotenusa, Farelo, Felipe e do cachorro Tobias,a fim de elucidar o
desaparecimento de um músico famoso na década de 70.
Com habilidade, Milu vai costurando as duas
narrativas, que não escapam do desafio de compor um painel muito particular da
vida de um garoto e sua obra, propondo um instigante questionamento dos limites
entre ficção e realidade, verdade e mentira, solidão e inclusão. As tipografias
em cores diferentes facilitam o entendimento das sequências, bem como as
ilustrações recortadas e bastante vivas de Sergio Magno que conversam muito bem
com a trama, num tom bem-humorado.
Dalton no cinema
O conto “Lulu, a Louca”, de Dalton Trevisan, será a
segunda obra do escritor adaptada para o cinema. O diretor é Estevan Silveira,
único cineasta brasileiro autorizado por Dalton Trevisan a filmar seus contos
depois de dirigir vários curtas-metragens a partir das histórias do escritor
curitibano. O filme, que deve ser lançado ainda neste meio de ano, tem
fotografia de Pedro Merege e trilha sonora de Bernardo Gressi. A história se
baseia na vida do personagem Lulu, travisti que perambula pelos banheiros
públicos, “meus museus, minhas igrejas”. O outro cineasta brasileira a adaptar
obra de Trevisan foi Joaquim Pedro de Andrade, nos anos 1970, com “Guerra
conjugal”. terça-feira, julho 1
Livrarias em tempos modernos
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A livraria Foyle, uma
das maiores livrarias de Londres, em seu novo
endereço no antigo prédio da famosa faculdade de artes Saint Martins College |
Com cerca de 900 livrarias, Londres é um
paraíso para amantes de livros. Tem para todos os gostos, das grandes redes e
livrarias pequenas a mercados de livros de segunda mão e livrarias
especializadas nos mais variados assuntos – viagem, culinária, história em
quadrinhos, literatura anarquista, literatura gay, poesia, arte, fotografia,
etc.
Em Londres, cada um tem a sua livraria,
aquela que é mais do que um lugar que vende livros, mas um lugar que escolhemos
para, vagando por entre estantes, descobrir vidas e mundos.
Cada livraria tem seu charme, mas a nossa
possui um cunho distinto, uma mistura de ambiente e cheiros – não sei se reais
ou mentais – que se misturam com a nossa expectativa do que vamos encontrar ali
por todos aqueles livros que esperam para serem pegos e descobertos. A nossa
livraria nos envolve e nos seduz a descobrir um mundo de quase infinitas
possibilidades.
Leia mais Cartas de Londres: Livrarias em tempos modernos
Combate pelo futuro do livro
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| Centro logístico da Amazon em San Fernando de Henares, na Espanha |
O duelo entre a Amazon e a Hachette definirá a forma como compramos
e lemos
A disputa da Amazon
com editoras dos Estados Unidos e Alemanha é muito mais do que um conflito
comercial pelas margens de lucro sobre os livros eletrônicos. Para muitos
profissionais do setor se trata de uma guerra cujo resultado definirá o futuro
do livro. “Isso é muito importante, muito mais do que acreditamos”, afirma uma
editora com anos de experiência e que, como muitas pessoas consultadas na
elaboração desta reportagem, prefere não ser citada pelo nome porque os acordos
que as editoras firmam com a Amazon estão protegidos por uma cláusula de
confidencialidade ou por não quererem entrar em um debate público com a gigante
das compras na Internet.
“Chegamos a um ponto
no qual o que está em jogo é a sustentabilidade de todo o ecossistema do livro,
Pode parecer uma declaração dramática demais, mas é assim”, diz Antonio
Ramírez, proprietário da rede de livrarias La Central.
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