Menos uma livraria em nossa geografia carioca de livros. Os anos enterram uma atrásda outra. Ficam elas em nosso mapa de saudades, que percorremos ainda muitas vezes.Vamos de uma a outra, vivendo momentos de conversas, ainda comprando os livros quecontinuam conosco, lembrando imagens, e com muito carinho saudando personagens hámuito bem longe.Agora chega a vez da Camões, do Estrela. Aqui livraria e José Maria Estrela, o gerente, são uma unidade naquele Portugal pequenino de poucos metros quadrados no edifício Avenida Central, no Rio. Quilômetros dessa terra lusa percorremos durante todos estes anos em suas prateleiras¸ descobrindo autores sempre desconhecidos aqui. De escritores, passaram a ser amigos do dia a dia na biblioteca nossa, tratados intimamente como velhos conhecidos. Alguns ainda hoje continuam a existir apenas na Camões, ou cá entre nós. Procure o rato de sebo por determinados autores portugueses fora desse Portugal pequenino e não encontrará nem quem saiba o quem seja. E ficará ignorante de uma literatura que ainda tem muito a nos dizer como no passado. Quantos autores foram garimpados por lá, quando em nenhum outro lugar havia sequer um volume deles? Em horas e horas, entre conversas aqui e ali, descobrimos muita gente, encontramos muitos livros e infelizmente não tivemos o prazer de encontrar outros, bem menos. Mas a colheita foi farta e ainda hoje nos alimenta, nos direciona. E em meio a tanta literatura descobrimos o Estrela, da conversa, da divulgação nas Feiras do Livro, dos presentes de ilustrações e poemas, ainda hoje enquadrados, na parede, eternos como a Camões que passa agora a ser da nossa eternidade. Já começamos a ter saudades.
Canto do Livro
Entre o pó e as traças de uma gaveta de livreiro
Quinta-feira, Janeiro 12
A livraria Camões vai fechar
Menos uma livraria em nossa geografia carioca de livros. Os anos enterram uma atrásda outra. Ficam elas em nosso mapa de saudades, que percorremos ainda muitas vezes.Vamos de uma a outra, vivendo momentos de conversas, ainda comprando os livros quecontinuam conosco, lembrando imagens, e com muito carinho saudando personagens hámuito bem longe.Agora chega a vez da Camões, do Estrela. Aqui livraria e José Maria Estrela, o gerente, são uma unidade naquele Portugal pequenino de poucos metros quadrados no edifício Avenida Central, no Rio. Quilômetros dessa terra lusa percorremos durante todos estes anos em suas prateleiras¸ descobrindo autores sempre desconhecidos aqui. De escritores, passaram a ser amigos do dia a dia na biblioteca nossa, tratados intimamente como velhos conhecidos. Alguns ainda hoje continuam a existir apenas na Camões, ou cá entre nós. Procure o rato de sebo por determinados autores portugueses fora desse Portugal pequenino e não encontrará nem quem saiba o quem seja. E ficará ignorante de uma literatura que ainda tem muito a nos dizer como no passado. Quantos autores foram garimpados por lá, quando em nenhum outro lugar havia sequer um volume deles? Em horas e horas, entre conversas aqui e ali, descobrimos muita gente, encontramos muitos livros e infelizmente não tivemos o prazer de encontrar outros, bem menos. Mas a colheita foi farta e ainda hoje nos alimenta, nos direciona. E em meio a tanta literatura descobrimos o Estrela, da conversa, da divulgação nas Feiras do Livro, dos presentes de ilustrações e poemas, ainda hoje enquadrados, na parede, eternos como a Camões que passa agora a ser da nossa eternidade. Já começamos a ter saudades.
Quarta-feira, Dezembro 21
Sexta-feira, Novembro 25
Decálogo das livrarias
Neste Dia das Livrarias, que se repetirá toda última sexta-feira de novembro, quando a Espanha só fala de livros, esquecendo um pouco a crise, os livreiros estão oferecendo aos leitores não só grandes ofertas, com excelentes descontos, mas ainda um decálogo em formato de marcador de páginas. Um convite a se incentivar cada vez mais a livraria independente. Eis a conclamação:Comprando aquí tus libros…
1- Apoyas la economía local.
2- Ayudas al medio ambiente.
3- Creas empleo en tu comunidad.
4- Fomentas un bien cultural.
5- Compartes nuestra experiencia.
6- Alimentas la red social.
7- Apoyas a los emprendedores.
8- Dinamizas el tejido cultural y social de tu barrio.
9- Favoreces la libertad de elección y la diversidad.
10- Haces de tu librería un destino único.
(Veja mais sobre a data em Día de las Librerías)
Quinta-feira, Novembro 24
Leitura e ecologia
Para quem é chegado em uma economia de energia para ajudar a salvar o planeta, aí vai um projeto do norteamericano Rochus Jacob. Uma cadeira para leitura com iluminação garantida por uma bateria carregada quando leitor se balança. A Murakami foi uma das vencedoras do prêmio Green Life organizado pela Design Boom.
Dia do Santo Livreiro
A Espanha comemora nesta sexta-feira o Dia das Livrarias. Em todo país as lojas ficarão abertas até às 22 horas com as mais diversas atividades que vão desde palestras a recitais de poesia e leituras para crianças. O mercado está fazendo durante toda a semana uma convocação para mostrar sua capacidade de resistência com uma receita para enfrentar a crise: dinamismo, capacidade para superar mudanças, criatividade e união. Os ingredientes tentam superar os 7% de queda em vendas registrados em 2010.
Esta semana também houve encontro na Biblioteca Nacional, em Madri, onde escritores, editores e livreiros saíram em defesa das livrarias independentes. No encontro, surgiu a convocação de Luis Eduardo Aute: “Vamos encher de livrarias as ilhas desertas em que habitamos”. Segundo Antonio Gómez Rufo, “não se pode conceber maiores espaços de liberdade que os livros e com eles se pode melhor resguardar-se da mediocridade que domina tudo”.
Esta semana também houve encontro na Biblioteca Nacional, em Madri, onde escritores, editores e livreiros saíram em defesa das livrarias independentes. No encontro, surgiu a convocação de Luis Eduardo Aute: “Vamos encher de livrarias as ilhas desertas em que habitamos”. Segundo Antonio Gómez Rufo, “não se pode conceber maiores espaços de liberdade que os livros e com eles se pode melhor resguardar-se da mediocridade que domina tudo”.
Terça-feira, Novembro 8
O livro faz o destino
“Li uma vez que o livro é o amigo que faz a pessoa pensar. Do pensamento nasce a ação, da ação vem o hábito; do hábito, o caráter; e então aparece o nosso destino”. A filosofia é de José Jackson Ferreira, torneiro mecânico de 73 anos, freqüentador diário dos sebos de rua de Belém.
Quinta-feira, Novembro 3
Roubo de raridade
Um volume da edição original de “Hispania damiani a goes equitis lusitani”, escrito pelo humanista português Damião de Góis (1502-1574) e publicada em 1542 em Louvain, na Bélgica, foi roubada em outubro durante a Feira do Livro de Frankfurt, segundo revelou esta semana o jornal Bild. O volume de apenas 30 páginas, avaliado em aproximadamente R$ 40 mil, foi levado do estande do sebo holandês Asher Rare Books. Segundo o jornal, a obra poderá ser agora negociada até por dez vezes o valor de sua avaliação. Dois outros volumes encontram-se em Portugal: na Biblioteca Nacional, em Lisboa, e na Biblioteca da Universidade de Coimbra.
Quinta-feira, Outubro 27
As ilustrações de 'Hobbit' em seus 75 anos
A HarperCollins está lançando “The Art of the Hobbit” em comemoração aos 75 anos de “O Hobbit” de J. R. R. Tolkien. A obra reúne quase todos os desenhos do escritor sobre a Terra Média, local mágico onde se desenvolveria a trilogia “O Senhor dos Anéis”, depois de digitalizados novos acervos da biblioteca Bodleian, de Oxford, depositária do legado de Tolkien. O processo permitiu descobrir 110 aquarelas, desenhos e pinturas do escritor sobre o mundo de Bilbo Balseiro. A trilogia já vendeu até este aniversário 150 milhões de cópias.
Terça-feira, Outubro 18
Contra o fechamento de bibliotecas
Cidadãos de Brent, e até escritores, foram às ruas em protesto e até fazem vigílias diárias contra o fechamento de seis das 12 bibliotecas públicas - uma delas inclusive inaugurada pelo norte-americano Mark Twain em 1900 - dessa região a Noroeste de Londres devido aos cortes de gastos do governo. Segundo a associação de bibliotecas, as medidas de austeridade devem provocar o fechamento de 400 unidades na Ingtlaterra, num total de 20% de toda a rede. As bibliotecas públicas são uma instituição secular e muito querida entre os britânicos, principalmente por ofereceram uma alternativa gratuita de leitura a crianças e jovens. Leia mais aqui
Quinta-feira, Outubro 13
Maricá festeja Dia da Leitura... silenciosa

Como sempre o governo municipal foi pródigo em se programar para o Dia da Leitura, ocorrido nesse dia 12. Foi mais um "esquecimento" do prefeito Quaquá, professor e sociólogo, e do secretário Ricardo Cravo Albim, prequisador da MPB. A única programação, quando muitos governos promovem uma semana de eventos relacionados à leitura, foi instalar baldes, vasilhames, e recobrir as estantes com plástico, na véspera, para evitar mais estragos com uma rápida chuvada pela manhã de terça-feira, véspera da festa esquecida, o que se registrou nas fotos acima, conseguidas sob tentativas de cerceamento de informação. A leitura, portanto, continua a ser um crime governamental em Maricá. Leia mais sobre o assunto em "Os cães zelosos do desmazelo público"
Quinta-feira, Outubro 6
Muito barulho...
As trombetas anunciam uma invasão não de ETs mas de aparelhagens eletrônicas no mundo dos livros. Apesar do estardalhaço com o admirável mundo novo que se prenuncia, o livro eletrônico, ao menos na Espanha, como noticiam os jornais, não anda tão bem das pernas. As vendas não chegam a 1% do mercado e a revolução digital tem pouca oferta de títulos, alto preço e dificuldades em se baixar o produto nos tablets. Apesar da pose que mereceu clique dos fotógrafos, o livro que mereceu até uma cafungada foi o velho e amigo impresso em papel. Veja mais sobre a polêmica invasão dos eletrônicos aqui
Dois em um bem prático
A eletrônica também está transformando o mais tradicional marcador. Para substituir aquele marcador de papel, que virou tradição ser oferecido por livrarias e editoras, o leitor agora pode até contar com um dicionário-marcador. O Electronic Dictionary Bookmark, que está custando em torno de R$ 57, foi lançado na Inglaterra e funciona como dicionário, no caso, apenas de inglês.
Terça-feira, Outubro 4
Viagem a bibliotecas desconhecidas
O jornalista espanhol Jesús Marchamalo, desde 2007, conheceu as bibliotecas de 20 escritores e o resultado das visitas e das conversas com os proprietários está sendo publicado em “Donde se guardan los libros” com inúmeras curiosidades. Como organizam, como cuidam e o que fazem para armazenar, como Mario Vargas Llosa em três casas, até 25 mil volumes. Uma viagem que vale a pena fazer mesmo que seja apenas na reportagem publicada aqui.(Ilustração: Javier Marías em sua biblioteca)
Segunda-feira, Outubro 3
A farmácia e a livraria
Lá na rua em que eu pensava,
tinha uma livraria
bem do lado da farmácia.
Todo mundo ia à farmácia
comprar frascos de saúde.
E depois ia do lado,
pra comprar a liberdade.
Mario Quintana (1906-1994)
tinha uma livraria
bem do lado da farmácia.
Todo mundo ia à farmácia
comprar frascos de saúde.
E depois ia do lado,
pra comprar a liberdade.
Mario Quintana (1906-1994)
Segunda-feira, Setembro 26
Inédito centenário de Doyle
O primeiro livro do escocês Arthur Conan Doyle (1859-1910), “The Narrative of John Smith”, chega às livrarias 127 anos depois de escrito. Agora editado pela British Library e também em versão audiobook com o ator Robert Lindsay, o livro inédito de 130 páginas foi escrito entre 1883 e 1884, quando Conan Doyle tinha 23 anos, alguns anos antes de ser publicada a primeira história de Sherlock Holmes, o personagem que imortalizou o autor. Os manuscritos foram extraviados nos correios quando enviados à editora e o escritor, mais tarde, tentou reescrever a história de um homem de 50 anos que está confinado ao espaço do seu quarto e todos os pensamentos que lhe ocorrem naquelas condições, desde a religião à guerra, passando pela literatura, até às conversas que tem com as visitantes. Foi esse o material encontrado nos documentos da coleção Doyle de posse da British Library desde 2007.
Quinta-feira, Setembro 22
Vendendo o peixe do ebook
Mestres em vender qualquer produto, os norte-americanos não se cansam de apelar para as pesquisas a fim de anunciar que o livro digital é a maior maravilha do mundo, talvez, segundo tanto anunciam, seja a maior descoberta dos séculos. Afinal, tudo é válido para vender os leitores eletrônicos, porque o investimento também é grande. Mas bem que poderiam baixar a bola em suas propagandísticas pesquisas como a recente da The Harris Pooll, publicada no The Bookseller. Segundo o levantamento, 16% dos americanos leem entre 11 e 20 livros ao ano e 20% deles leem mais de 21 títulos. Mas para vender seu peixe, a pesquisa acrescenta que um terço dos possuidores de Kindle ou outro leitor ficam na mesma faixa de leitura e outros 27% passam de 21 títulos. O desavisado bem que pode suspeitar que o eletrônico faz o leitor ler mais. E a partir daí talvez resolva se exercitar na nobre arte da leitura eletrônica, quando mal soube aproveitar o prazer em papel.
Quarta-feira, Setembro 21
Os maus usos do livro

Se o livro é o melhor amigo do homem, a recíproca não é verdadeira na maioria dessas relações, principalmente quando o livro chega à terceira idade. Aí mesmo que o bicho pega. Quando conseguem uma aposentadoria de ambiente mais agradável, vão servir para embelezar, com suas lombadas de couro, estantes de bibliotecas para quem precisa de ares intelectuais e compra a livralhada a metro bem medido. Quando caem em desgraça nas famílias, até são dados para as crianças fazerem seus exercícios de artistas plásticos, futuros mestres das artes mais do que abstratas. Mas nestes tempos de supervalorizar os eletrônicos, os livros parecem estar recebendo outro tratamento. O homem, também seu maior inimigo, está condenando os livros a objetos... para decoração, quando não até para vaso de plantas.Conheça as tais “dicas” de decoração com livro aqui
Terça-feira, Setembro 20
O livro e o tempo
“Nada nos parece mais vivo que um livro que não envelhece. Há livros que à primeira leitura parecem carregar a eternidade em suas páginas. Fazem sucesso, conquistam milhares de leitores, trazem a notoriedade para os autores felizes. Mas aos poucos vão murchando como dálias; nem um resto de perfume deixam no ar, como as rosas que fenecem. São livros mortos que pareceram, no entanto, tão pletóricos de seiva. Nada tinham da verdadeira vida, não exprimiam a grande realidade que muitas vezes se esconde num verso, numa linha, numa frase. Mas quando relemos um livro que há tempo não líamos encontramo-lo como da primeira leitura, aí a grandeza da literatura nos firma na terra, nos prende ao homem para nos sentirmos mais fortes e mais duros do que o tempo”José Lins do Rego ("O cravo de Mozart é eterno")
Biblioteca a serviço da cidadania
“A biblioteca deve estar a serviço da comunidade na qual está inserida. A biblioteca é um serviço público”
Felipe Lindoso discute a principal função dessa instituição de importância para a cidadania em "A “biblioteca civilizatória” e a biblioteca como serviço público". Veja aqui
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