sábado, julho 12

Ler na cama

Sleeping whit books, Claire Fletcher

Poeminha Tentando Justificar Minha Incultura


Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cômodo abandono,
Pego no sono. 

Millôr Fernandes, em "Pif-Paf"

Gabo em cera

Boneco de cera estreará no aniversário do amigo Fidel
 Gabriel García Márquez terá uma cópia sua no Museu de Cera de Cuba. Segundo a imprensa local, a reprodução do escritor será inaugurada no museu neste domingo, dia 13, data em que seu amigo Fidel Castro completará 88 anos. O boneco de cera de García Márquez foi feito pelos irmãos Rafael e Leander Barrios, também autores da figura do escritor americano Ernest Hemingway. García Márquez, Nobel de 1982, residiu em Cuba durante vários anos. Foi ele quem atuou como emissário secreto entre Fidel e o presidente americano Bill Clinton.

Chico & Verissimo



Chico Buarque e Luis Fernando Verissimo num encontro na França para um bate-papo informal.

História dos pombinhos premiada

O livro “Breve História de Um Pequeno Amor” (FTD), escrito por Marina Colasanti com ilustrações da argentina Rebeca Luciani, venceu recentemente o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) deste ano nas categorias Criança Hors-Concours e recebeu o selo de Altamente Recomendável.
O livro começa com uma infiltração no escritório de uma escritora, que é quem narra a história, em primeira pessoa. Para resolvê-la, ela contrata um profissional que sugere a retirada das telhas para fazer a impermeabilização. Quando parte das telhas é retirada, surge um ninho; do ninho, uma pomba; e, embaixo da pomba, dois filhotes.
“Coisa mais feia é pombinho que nasceu há pouco. A pele escura, frouxa, sobra no corpo como pijama de irmão maior.Penas, nem pensar. As asas pequenas, a barriguinha gorda, as costelas aparecendo, as veias, ou o que seja que vai azulando por baixo da pele, tudo parece ainda por terminar. Mas o pior é a cabeça. Grande demais para o corpo – acho que combinaria com a pele se o esqueleto todo fosse maior -, desequilibrada sobre o pescoço magro, com um bico fino e comprido e dois olhos enormes, dois olhos saltados chegando à vida antes de todo o resto, ansiosos e meio cegos.Assim eram os dois. E eu os amei imediatamente.”

sexta-feira, julho 11

Túnel do tempo

Cartaz da Feira do Livro de Madri, 1944

Biblioteca na praia


A Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, em Portugal, está promovendo até o final de agosto a Biblioteca de Praia, uma extensão de seus serviços, no areal da Foz do Arelho. A “biblioteca” funciona diariamente até o anoitecer oferecendo livros, revistas, jornais locais e nacionais, empréstimo de livros, acesso à rede wi-fi e uma série de atividades. Durante o período também é promovido o projeto Dar e Partilhar, campanha de livros didáticos com que se pretende promover a reutilização dos volumes.   

A ginástica do leitor


Vida de Virginia Woolf em expo

A vida e o mundo literário de Virginia Woolf, uma das mais importantes e celebradas autoras do século XX, são o tema de uma extensa exposição de retratos e material de arquivo raro na National Portrait Gallery, de Londres, A exibição, que poderá ser vista até 26 de outubro, explora o vínculo da escritora britânica com sua família e amigos, assim como a influência que as ideias políticas de seu tempo tiveram na sua literatura e sua forma de pensar. Com curadoria do biógrafo e historiador de arte Frances Spalding, a exposição inclui retratos distintos de Woolf por seus contemporâneos do Grupo Bloomsbury, Vanessa Bell e Roger Fry, e fotografias de Beresford e Man Ray, bem como a gravação de imagens íntimas dela com amigos e familiares. Distribuída em quatro salas, a mostra apresenta mais de 140 objetos relacionados com a vida de Woolf (1882-1941), entre eles alguns que fazem referência ao impacto que teve em sua vida a Guerra Civil espanhola e a Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, julho 10

Esporte radical

Andrei Popov

Profissão sagrada

Não existe profissão mais nobre e sagrada que a de livreiro, por ser um difusor da cultura e ao mesmo tempo ele demonstra um valor enorme por salvar grande parte do nosso patrimônio artístico e cultural ao resgatar grande número de textos antigos que de outro modo desapareceriam
Inocencio Ruiz Lasala, decano dos antiquários espanhóis, falecido aos 95 anos

O cão de Pavlov

O que Ivan Petrovich Pavlov e três executivos têm em comum? No segundo romance de José Carlos Mello (“O cão de Pavlov”, Octavo) descobrimos a conexão entre a teoria desenvolvida pelo cientista russo sobre o condicionamento comportamental, o trabalho corporativo e os hábitos no encravados no cerne da sociedade moderna. O quanto estamos condicionados a nos comportar de certa forma no trabalho e o que ocorre quando as amarras são desfeitas?

O texto percorre a vida de dois recém-aposentados em busca de uma ocupação, que se recusam se entregar ao ócio, e um terceiro que ainda está na ativa, mas que “é negligente com seus deveres, na busca permanentemente se aperfeiçoar na arte do nada fazer, trabalhar o mínimo possível para não ser demitido do seu emprego”.

Mello, que é leitor contumaz de Fiodor Dostoievski, traz várias referências do escritor para seu romance, por exemplo, sobre quando ele ficou aprisionado na Sibéria e decidiu contar como a rotina de uma vida pode ser direcionada de outra forma. O romance também dialoga com a temática do romancista russo ao abordar a ausência de virtudes e a degradação dos valores no mundo corporativo.

 “Condicionamentos de toda a existência não podem ser desfeitos de modo brusco sem deixar graves sequelas. Desde o nascimento, as pessoas são ensinadas a obedecer, a se ater a horários e prazos, a executar tarefas e a se enquadrar em hierarquias. De repente, mais velhos, são libertados das obrigações impostas por outros; não tem mais nada a fazer e ninguém a atender. A liberdade torna-se um castigo, uma punição pelo ócio que passam a viver. Ocorre o contrário do esperado ao longo da vida útil. O próprio qualitativo dessa primeira etapa indica que a partir de seu término a vida será inútil”.

quarta-feira, julho 9

Aos fanáticos da poltrona

Todos os livros ao alcance da mão em pleno conforto

Livro tem alma


Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.
Carlos Ruiz Zafón , em "A sombra do vento"

Cobrador monta biblioteca em ônibus

Antônio pensa em levar a ideia para outras linhas

O interesse pela leitura do cobrador de ônibus Antônio da Conceição Ferreira, de 42 anos, começou em sua cidade natal Santa Luzia do Tide, no Maranhão. Desde pequeno, gostava de ler os jornais e folhetos que o pai levava para casa como embrulho de objetos. Morador de Sobradinho II (DF), há 11 anos ele transformou o gosto pela literatura no projeto Cultura no Ônibus, que empresta livros para passageiros da linha em que trabalha.  

- Dentro do ônibus não há atrativos para os passageiros, então vejo o livro forma de distração e de adquirir cultura.

Antônio iniciou o projeto com uma caixa de papelão em que guardava os livros no ônibus, desde que começou a trabalhar na linha circular de Sobradinho II e Plano Piloto em 2003. Hoje, o cobrador monta uma estante com cerca de 15 livros assim que começa o expediente no coletivo.  O acervo do cobrador é formado por doações de passageiros e de internautas que acessam o blog do projeto. Em casa já reúne um acervo com cerca de 8 mil títulos, entre livros, revistas e cordéis.  

No começo, Antônio anotava o nome e dados dos passageiros que pegavam os livros emprestados. Agora ele diz que não se importa mais com a devolução dos volumes e já pensa em estender o projeto para todos os ônibus do DF.  

- Aí quem pegar o livro em um coletivo em Ceilândia, poderá devolver em outro ônibus no Guará. Vejo o coletivo como uma grande biblioteca.  

A menina que odiava livros

terça-feira, julho 8

Biscoitos na cama



     Norman Rockwell (1894-1978) foi o grande ilustrador norteamericano e 
ficou muito popular através 323 capas que fez para a da revista “The Saturday Evening Post” 

Holografia de Neruda percorre Santiago

Uma figura holográfica do poeta chileno Pablo Neruda (Neftalí Ricardo Reyes Basoalto.- 1904/19730) percorrerá as ruas de Santiago no próximo dia 11, da mesma forma como ele fazia em vida. A iniciativa faz parte das celebrações pelos 110 anos do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, informou a Fundação que leva seu nome. Com a técnica de projeção em movimento, o holograma do autor de Canto geral sairá da casa museu La Chascona, no bairro de Bellavista, após aparecer escrevendo. 

De acordo com a Fundação, Neruda percorrerá o bairro, seguirá até a Alameda Bernardo O'Higgins, passará pela Biblioteca Nacional e chegará até a Casa Central da Universidade de Chile, onde está guardada sua coleção de conchas e sua biblioteca pessoal, que doou a essa casa de estudos em 1954, ao completar 50 anos.

No local, o poeta "se encontrará" com Darío Ouses, diretor da Biblioteca Pablo Neruda, que contará detalhes da descoberta e próxima publicação de 20 poemas inéditos do autor de "Crepusculário" e "Os Versos do Capitão", entre muitas outras obras. Depois, o poeta "voltará" para sua casa, onde chegará, aproximadamente, quatro horas após sua saída.

Livros inexistentes


Conheço fanáticos de catálogos de livros inexistentes e os imagino celebrando estes dias o aparecimento em Paris de “A Biblioteca invisível”, Stéphane Mahieu (Éditions du Sandre). Acabo de ler precisamente as notas sobre cada um dos livros inexistentes reunidos por Mahieu e confesso que, depois de morrer de rir com alguma das notas, agora me sinto brutalmente saciado, como se houvesse lido, por mais inexistentes que sejam, a totalidade dos livros que anuncia o catálogo.

É demais. Quem dá mais? Em um só volume “A Biblioteca” te dá ampla informação sobre diferentes livros falsos que no final inclusive você pode acabar acreditando que é um leitor exageradamente voraz. Vem neste momento à memória os tomos falsos da “A Biblioteca” que me ficaram mais gravados: os que cita J. Rodolfo Wilcock em “A sinagoga dos iconoclastas”, os que revela Rabelais em Gargântua e Pantagruel...
  
Em cada livro inventado há algo de grande força íntima, às vezes “A Biblioteca” de Mahieu parece uma secreta reunião de festas que não existem. Algo está claro: a insistência em editar este tipo de catálogos demonstra que continua havendo gente apaixonada pelos livros não pensados para leitores crédulos (leia-se também simiescos).

Livro mostra realidade de crianças de rua

A busca pela inserção social de milhares de crianças brasileiras que vivem à margem da sociedade é um tema ao qual estamos expostos diariamente e a explicação para as crianças é bastante complexa. É isso que busca mostrar de maneira poética e com linguagem infantil, o livro "Diana, Luana, Luanda", de Ana Lasevicius, que faz parte da Coleção Sonhos de Ser, da Editora DSOP.
    
O livro conta a história de uma pequena menina que vive nas ruas, representando as crianças que não são acolhidas pela sociedade. Com narrativa poética, a obra nos faz ver, a partir de uma situação “normal” em nossa sociedade, a enorme indiferença com que se é tratado o tema.
    
A menina “invisível” enfrenta, sozinha, os perigos das ruas, não tendo um endereço para morar, uma escola onde estudar ou ao menos a oportunidade de sonhar. “A denúncia, no âmbito da ficção, pleiteia um final feliz no mundo real. Apesar de tudo, a menina sonha. E esse sonho, tão justo que se torne realidade, é o que devemos construir para todas as crianças”, conta Ana Lasevicius.