terça-feira, janeiro 20

A hora das bruxas

O que pode ocorrer no vale a estas horas?
H. de Latouche, El Rey de los Alisos

É aqui! E logo na espessura dos matagais que apenas iluminava o olho fosforescente de um gato montes acocorado sob a ramaria.

Entre as rochas que encharcavam na noite de seus precipícios sua cabeleira de espinheiro, reluzente de orvalho e de vaga-lumes;

Junto à torrente que tomba espumosa entre as copas dos pinheiros e que flutua como um vapor cinzento no fundo dos castelos;

Reúne-se uma multidão incalculável que o velho lenhador, retido nas picadas com sua carga de lenha sobre os ombros, ouve porém não vê.

E de azinheira em azinheira, de colina em colina, se dispersam mil gritos confusos, lúgubres, espantosos:

Hum! Hum! Shh! Shh! Curu! Curu! Aí está a forca!

E por ali se vê aparecer, na sombra, um judeu que procura algo entre a erva molhada, sob o relâmpago dourado de uma auréola.

Aloysius Bertrand, em Gaspar de la Nuit ("Livro dos Sonhos/', de Jorge Luís Borges)

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