Já vai fazer um ano que estou morando aqui e nem senti o tempo passar. Ainda conheço poucos lugares e preciso consultar rotas para chegar a alguns destinos, tomando posse do desconhecido. Nada me desencantou, até agora.
É um misto de admiração e orgulho ver a grandiosidade de ícones da cidade, como certas avenidas, templos, parques. Todos escondem gratas surpresas, confirmando que fiz a escolha certa.
Numa dessas tardes, diante da Catedral da Sé, pétrea, monumental, quase sisuda, testemunhei sua escadaria cinza de repente tornar-se branca e alegre. Dezenas de formandos da área de Medicina, alguns exibindo o estetoscópio junto ao pescoço, nela posaram para a foto histórica. Fiquei por perto absorvendo a boa energia.
Num outro dia, precisei ir ao Poupatempo e me surpreendeu a quantidade de guichês de atendimento da seção: quase 50 e funcionando com muita eficiência/gentileza!
A feira-livre perto de casa parece um daqueles jardins labirínticos franceses. As barracas formam ruelas tortuosas, em várias direções, e preciso ficar atenta para não me perder na volta. Quando faz sol, estico um pouco mais a visita, curtindo os pregões, os perfumes, o fluxo intenso de pedestres com suas sacolas e carrinhos.
Fazer contato com tanta gente é fascinante. No salão de beleza, a manicure tinha um pai jornalista como eu e também morou (sete anos) no Japão. Tivemos muita figurinha para trocar.
E assim vou indo, cada dia mais paulistana. Não renego a origem santista, mas confesso que já estranho a velocidade com que tudo acontece por lá, contaminada pela urgência do ninho atual. O VLT, a mudança dos semáforos, os caminhantes nas calçadas, tudo parece ter outro ritmo que já não é o meu.
Encontro a calma nas bibliotecas, centros culturais e reuniões de haicai onde tudo é zen. Mas gosto mesmo é do agito do metrô, dos eventos na Paulista, do burburinho da 25 de Março. Planejo assistir à corrida de São Silvestre, desta vez – a primeira – ao vivo. E sei que ainda há muito para descobrir…

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