sexta-feira, maio 30

O fantasma parnasiano e outros

Ontem num sonho meu eu vi aparecer um fantasma que enfiado num vistoso fraque falava com as estrelas e dizia ser Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac.

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O mais intolerável fantasma que abriguei foi um que garantia ter sido tenor em Milão.

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Um fantasma que me fez rir muito foi um que uma noite, tendo bebido toda minha cerveja, acabou dormindo na casinha de cachorro, em comovente fraternidade.

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O fantasma francês de bigode apresentou-se como madame Bovary.

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Seria um fantasma silencioso, se não tropeçasse em cada degrau.

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E houve aquele fantasma, Xavier ou Javert, nome assim, que certas noites resolvia me acordar e submeter a interrogatório.

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Era um fantasma incomum. Na farra, em vez de uísque ou de rum, o maganão bebericava conhaque de alcatrão de São João da Barra.
Raul Drewnick

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