Pensava:
“Por que é a vida tão penosa para os pobres? E... Por que os ricos acumulam tanto dinheiro? Têm caixas cheias de ouro e, no entanto, vivem privados de tudo, para continuar amontoando. Se eu fosse rico, não viveria da mesma forma; daria a mim próprio boa vida e procuraria não ser pior que os demais.”
Repentinamente ouviu uma voz que lhe dizia:
— Queres ser rico? Aqui está uma bolsa. Nela há apenas uma moeda; porém logo que a tires, outra a substituirá. Tira quantas queiras e, depois, atira a bolsa ao rio. Porém, antes de deitar fora a bolsa, não gastes nenhuma das moedas, porque o resto se transformará em pedra.
O pobre homem quase enlouqueceu de alegria. Quando se sentiu mais tranquilo, cuidou de fazer uso do presente maravilhoso.
E apenes tinha retirado a moeda, no fundo da bolsa viu brilhar outra!
— A felicidade é minha! — murmurou com um estremecimento. — Toda a noite passarei tirando moedas da bolsa e amanhã serei rico. Então jogarei a bolsa à água e desde então viverei confortavelmente.
Porém, chegada a manhã, mudou de ideia.
— Se eu quiser ter o dobro — pensou — é bastante conservar a bolsa mais um dia.
E também passou o resto do dia extraindo moedas. No seguinte mais, mais e mais, no outro, mais e mais... Não podia se decidir a abandonar a bolsa.
Nessa altura sentiu fome e recordou que só dispunha de um duro pedaço de pão preto.
Ir comprar outra coisa era impossível, pois embora muito quisesse comer não ousava se separar da bolsa; assim, comeu o infeliz aquele pão preto e duro; e depois continuou tirando moedas da bolsa inesgotável.
Nem mesmo à noite descansava.
Passou, assim, um mês, um ano.
Quem se teria contentado com certa quantidade? Todo o mundo quer possuir mais e mais, o máximo que for possível!
E o infeliz vive uma vida de mendigo, esquecido de que desejara viver para seu prazer e o de seus semelhantes.
De vez em quando toma uma resolução; aproxima-se do rio para lançar a bolsa à água; porém se arrepende e volta. Hoje está velho, fraco e amarelo como seu ouro mas não pode interromper sua tarefa...
E assim morre, pobre, sentado sobre um banco e com a bolsa entre as mãos.
Leon Tolstói

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