Ela sugeriu que, para o bem dele, se afastassem um pouco, dessem um tempo. Achava que ele estava apaixonado demais, o que poderia afetar sua saúde. “Um tempo? Quanto? Uma semana?”, ele perguntou, e ela disse: “Vamos ver.” Sairia para uma viagem e, quando retornasse, se ele tivesse conseguido domar sua paixão, reduzindo-a pelo menos à metade, retomariam o caminho do amor, “em bases mais civilizadas”.
Ela se foi. Ele ficou quatro anos sem saber onde e como ela estava, sem poder lhe enviar ou receber mensagens. Para o bem dele, naturalmente, como ela dissera.
Quando ela voltou, ele estava vivendo fazia quase um ano com uma garota meio bobinha (talvez até mais do que ele), que se arrastava pachorrentamente pela casa, carregando no ventre um bebê. No momento em que reviu a amada, ele se esqueceu da garota e do filho e lançou-se nos braços dela.
“Parece que você não mudou nada”, ela disse, contrariada, e ele se desculpou, atribuindo esse ímpeto ao longo tempo de ausência. Falou-lhe da sua nova situação, e ela, para espanto dele, achou muito conveniente o que acontecera enquanto estivera fora. Julgava-o agora mais preparado para encarar com equilíbrio uma relação amorosa.
Não foi assim. Ele se abrasou de novo e, seguindo-a em todos os lugares para os quais ela ia (ela era agora gerente nacional de vendas de uma empresa de cosméticos), abandonou a mulher e o filho que ia nascer.
Quando, dois meses depois, sua doce amada conseguiu o posto de diretora na sede mundial da empresa, na Suíça, ele quis acompanhá-la, fosse como fosse, mas ela o convenceu de que seria melhor que ele voltasse para casa. Para o bem dele.
Na volta, ele encontrou a garota ainda mais bobinha, mais gorda e pachorrenta, e sua primeira providência foi começar a procurar um emprego, porque o anterior, como tantas outras coisas, ele perdera no furacão amoroso que varrera sua vida.

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