sábado, outubro 10

Rachados ao meio

Vamos conversar? Trocar abraços, confidenciar sonhos, ativar a esperança? Penso em você, meu amigo que mora em Portugal e se preocupa comigo. Como estará recebendo as notícias que chegam daqui?

Apesar da Primavera, os dias andam sombrios e vão se arrastar até o dia 25. Mas a fé move montanhas, como dizem, e não podemos abrir mão dela. Andamos cansados da realidade, que nos mostra um mundo quase todo tomado pela direita, a pior delas, nos contamina com a lentidão da Justiça, que mantém impunes tantos criminosos, e adota como mote o “quanto pior, melhor”.


O capital ainda financia nosso futuro, comprando votos e lançando candidatos criados só para confundir. Nestes tempos líquidos, falta-nos discernimento para separar o joio do trigo, falta informação confiável, falta isenção da mídia. O que esperar agora da eleição do presidente do país?

Abutres sobrevoam nossas cabeças, enquanto lutamos por reverter os efeitos da ignorância e da crendice. Enquanto isso, o país da águia contabiliza lucros, caso a direita chegue ao Executivo. Somos Davi diante de Golias, desejando que a lenda se torne verdade. Somos o amor, diante da paixão. Esta é sempre tentadora, mas nada garante, além de ilusão.

O abismo é logo ali e muitos já entregaram os pontos, admitindo a derrota. Outros, como nós, mal dormem, mal comem, pedindo iluminação aos deuses para estratégias bem-sucedidas que nos devolvam a paz. Na luta contra a barbárie, é vencer ou vencer. Não só por nós, mas também pelos que, equivocados, votaram na direita até aqui, abrindo mão de tantos direitos conquistados, mas podem mudar a escolha e restaurar a cidadania.

Há muito andamos rachados ao meio, esquecendo aquela máxima dos conquistadores: dividir para enfraquecer. E insistimos nessa guerra fratricida, colocando em risco a Nação, nossas riquezas, o papel que representamos no mundo, nossa potência por vezes ignorada pelos próprios brasileiros.

É, temos muito que conversar.

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