Em meio ao pó, estantes e mais estantes entulhadas de livros, o livreiro também é um pouco arqueólogo. Fuça aqui e ali, folheia uma obra e outra, vai passando tempo e conhecendo muitas e boas histórias. Às vezes, até faz lá suas descobertas históricas. E que surpresas encontra! Assim aconteceu sobre Modesto Dias de Abreu e Silva. Escritor, teatrólogo, filólogo e jornalista, Modesto de Abreu foi um dos fundadores da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ), da Academia Brasileira de Jornalismo (ABJ) e da Academia Brasileira de Filologia. Em sua bibliografia se destacam ensaios como “Machado de Assis: O homem e a obra”, “Biógrafos e críticos de Machado de Assis” e “Infância e Adolescência de Machado de Assis”.
Apesar do currículo e das obras, continua a ser um desconhecido na própria cidade em que nasceu a 1 de junho de 1901. Não mereceu, portanto, ser patrono de nenhuma cadeira na Academia do município, nem muito menos ser nome de rua, de praça, de escola. Seus 110 anos de nascimento passaram em branco como em branco está a memória local sobre esse “filho de pescador e comerciante e de uma habilidosa senhora no conserto de redes e de fiação do tucum” que nasceu no início do século passado “numa casa de taipa, coberta de sapê, situada num canto de praia conhecido como praia de São Bento”. Morreu, cego, aos 95 anos, no dia 2 de julho de 1996, no Rio, bem longe da “parte extrema e meridional da praia maior que se conhece até hoje pelo nome de Itaipuaçu” (Maricá).
sexta-feira, julho 15
terça-feira, julho 12
O primeiro best-seller é de 1494
As falácias da Justiça e da Igreja, a avidez e vulgaridades dos nobres e dos pobres, ou mesmo os exageros da moda, coisas de hoje, já estavam bem descritas no primeiro best-seller de todos os tempos, publicado em 1494. Sebastian Brant (1457-1521) ironizou tão bem a sociedade do seu tempo que “A Nau dos Insensatos” (Octavo, R$ 58) teve 15 edições em vida do autor e foi traduzida para vários idiomas, inclusive se tornando a primeira obra da literatura alemã a ser traduzida para o inglês, tornando Brant o autor mais renomado da época na Europa. Os 112 capítulos curtos inauguraram uma nova vertente na literatura mundial, a literatura da loucura, inspirando grandes clássicos como “Rei Lear” (aproximadamente 1606), de William Shakespeare; “O Elogio da loucura” (1511), de Erasmo; “O aventuroso Simplicissimus” (1667), de Grimmelshausen.
segunda-feira, julho 11
Debate sobre ser editor e livreiro
Três palestras e um debate marcarão, na sexta-feira, a partir das 14 horas, na Fundação Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, o colóquio “Ser editor, ser livreiro, no Brasil e em Portugal”. A mesa de debate reunirá Milena Duchiade (livraria Leonardo Da Vinci) e Renato Casimiro (EdUerj), sob a mediação de Aníbal Bragança (UFF/CNPq). Os palestrantes serão Mário Feijó (ECO/UFRJ), com “A formação de produtores editoriais no Brasil”, Thaís Sena Schettino (ifcs/ufRJ), com “Comércio e cultura:a identidade profissional do livreiro”, e Nuno Medeiros (Universidade Nova Lisboa), com “Ser editor em Portugal no século XX: tensões e transformações”. Durante o evento ainda serão lançadas a Revista do Livro da Biblioteca Nacional n° 34 e a Revista Poesia Sempre, números 33 e 34.
Um caldeirão de efervescência cultural
A pensão de 85 apartamentos localizada em Botafogo, no Rio de Janeiro, foi o endereço e o abrigo de poetas, compositores, jornalistas, artistas plásticos – loucos, cabeludos e “desbundados” que vinham de todos os cantos do país e encontravam ali o jardim ideal para plantar suas “folhas de sonho” e materializar verdadeiras obras de arte. O local, hoje ocupado por um dos maiores shopping centers da cidade, foi a sede de um verdadeiro caldeirão cultural e o cenário de inúmeras histórias engraçadas, românticas e muito polêmicas.Mais de 40 anos depois, o jornalista e escritor Toninho Vaz, ele próprio uma das figuras que contribuíram para a consolidação da imagem do local como símbolo da vanguarda cultural e política dos anos 1960. Em “Solar da Fossa” (Casa da Palavra, R$ 39,90), Toninho Vaz reúne relatos que divertem o leitor ao mesmo tempo em que resgatam a memória de um dos períodos mais ricos da história do Brasil. Há declarações, e fotos inéditas, de personalidades como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Gal Costa, Paulo Coelho, José Wilker, Tim Maia, Betty Faria, entre outras. O prefácio escrito pelo autor e jornalista Ruy Castro, também antigo morador do Solar da Fossa, destaca que o casarão “serviu de incubadora de talentos, ideias e ousadias e mudou para sempre os rumos da cultura brasileira”.
quinta-feira, julho 7
I'm reading in the rain
quarta-feira, julho 6
Uma 'montanha' por toda casa
Quem faz uma tempestade até por um pequeno punhado de volumes, enfiados num armário, reclama principalmente do espaço que poucos livros estão tomando em casa, ainda não viu nada. Alison Flood, canadense com três filhos e trabalhando em dois empregos, nem mais reclama. Seu desespero é mesmo enorme porque está com nada menos do que 350 mil livros e uma casa em Pike Lake, no estado de Saskatchewan, com rachaduras devido ao peso. Nem mesmo vender o enorme acervo Alison está conseguindo, porque os livreiros ficam assustados com a enormidade do acervo.
A dona de casa revelou ao jornal britânico Guardian que os livros foram salvos da destruição quando uma vizinha planejava queimar a coleção do marido bibliófilo recém-falecido. O que foi primeiramente uma boa ação acabou por se tornar um pesadelo de 30 toneladas de papel espalhadas por toda casa. Allison inclusive revela que pensa mesmo em medida mais drástica: por fogo em tudo.
terça-feira, julho 5
Um país que lê, em vídeo
Paraty, que esta semana se torna o centro cultural do país com a sua Festa Literária Internacional, recebe pela terceira vez o Movimento por um Brasil Literário, que lança o novo vídeo de campanha com vinhetas de depoimentos e imagens de pessoas das diferentes regiões do Brasil. O vídeo mostra um país que lê e se transforma com a literatura, mas que também precisa percorrer um longo caminho para garantir a todos o direito de acesso aos textos literários. O vídeo será apresentado antes de cada mesa de autores e também na FlipZona. Acompanhe aqui o portal do Movimento
Jóia recuperada para leitor em Niterói


Uma das muitas preciosidades históricas de Niterói será reinaugurada nesta terça-feira. Depois de meses de obras e mais de R$ 4 milhões investidos no acervo e no mobiliário, ressurge a Biblioteca Estadual de Niterói, inaugurada em 1935, num prédio tombado considerado marco na arquitetura da região central da cidade, ocupando área de cerca de 1.500 m² na Praça da República.Uma moderna e equipada nova biblioteca com cerca de 60 mil livros, CDs e DVDs, em um catálogo que pode ser consultado online, é oferecida ao público. Além de espaço infantil, a reforma fez com que os deficientes visuais também possam agora contar com teclados e livros em braile e foi garantida acessibilidade dos portadores de necessidades especiais, incluindo rampas elevatórias. “Foi tudo respeitado historicamente para que o público recebesse um presente. Mas com uma pitada de modernização na usabilidade do espaço”, conta Gloria Blauth, há 38 anos na direção da biblioteca.
Confira aqui vídeo da TV OFlu
segunda-feira, julho 4
Diálogos para uma rede
A biblioteca também será atração durante a Flip, em Paraty. A Fundação Biblioteca Nacional e a Superintendência da Leitura e do Conhecimento da Secretaria Estadual de Cultura estarão promovendo, na quinta-feira, o debate “Diálogo: a biblioteca que temos e a biblioteca que queremos”. O encontro vai reunir as lideranças locais na criação e manutenção de bibliotecas públicas, comunitárias e escolares para discutir as possibilidades de se montar uma rede local de bibliotecas.
sexta-feira, julho 1
A doce figura
"Não sei como uma pessoa passa pela vida sem ler, sem se interessar pela literatura.... "Eis o escritor pernambucano Gilvan Lemos, de 83 anos, autor de obras como “Jutaí menino”, "Emissários do diabo" e "Olhos da treva". Ele aparece numa deliciosa conversa com o jornalista Urariano Motta. Veja aqui
quinta-feira, junho 30
Espaço sempre há
Livro vai a campo

O Ministério da Educação e a Secretaria de Esporte da Argentina, apoiados pela Associação de Futebol da Argentina, vai distribuir 500 mil livretos com contos de futebol escritos por autores latino-americanos nos estádios durante a Copa América, o que não é uma novidade naquele país. Os livros serão entregues aos torcedores nos estádios de Jujuy, Salta, Mendoza, San Juan, Santa Fé, Córdoba, La Plata e Buenos Aires para que o público possa ler enquanto espera o início da partida. Nos exemplares, estão obras do colombiano Gabriel García Márquez, do argentino Ernesto Sábato, do uruguaio Mario Benedetti e do mexicano Juan Villoro, entre outros. O Brasil será representado pelo conto "Abril, no Rio, em 1970", de Rubem Fonseca.
quarta-feira, junho 29
Leitura de Camus
No carro em que o escritor francês Albert Camus se acidentou, em 1960, foram encontrados os manuscritos do seu último romance, que seria lançado 35 anos após a tragédia. “O primeiro homem” permanece como uma obra na qual o leitor não encontra um desfecho determinado pelo escritor, morto aos 47 anos. Nessa sua última obra, Camus, Nobel de literatura em 1957, transcreve suas impressões da infância pobre na África – nasceu na cidade de Mondovi, na Argélia - para a trajetória do menino Jacques Cormery. Através do personagem, o autor leva o leitor a imaginar sons, visões e texturas, ao narrar situações difíceis como a morte do pai de Corney e sua relação com a mãe, quase surda-muda. Essa obra estará em debate na edição de julho do Clube de Leitura, promovido pela editora da UFF, que acontece na sexta-feira, das 19h às 21h, na livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias 9, anexo) em Niterói.
terça-feira, junho 28
Libertador e leitor voraz
"Foi seu último livro completo. Tinha sido um leitor de voracidade imperturbável, tanto nas tréguas das batalhas como nos repousos do amor, mas sem ordem nem método. Lia a toda hora, com a luz que houvesse, ora passeando debaixo das árvores, ora a cavalo sob os sóis equatoriais, ora na penumbra dos coches trepidantes sobre os calçamentos de pedra, ora balouçando na rede enquanto ditava uma carta. Um livreiro de Lima se surpreendera com a abundância e a variedade das obras que selecionou de um catálogo geral onde havia desde os filósofos gregos até um tratado de quiromancia. Na juventude lera os românticos por influência de seu professor Simon Rodríguez, e continuou a devorá-los como se estivesse lendo a si mesmo com seu temperamento idealista e exaltado. Foram leituras passionais que o marcaram para o resto da vida. No fim havia lido tudo o que lhe caíra nas mãos, e não teve um autor predileto, mas muitos que o foram em diferentes épocas. As estantes das diversas casas onde viveu estiveram sempre abarrotadas, e os dormitórios e corredores acabavam convertidos em desfiladeiros de livros amontoados e montanhas de documentos errantes que proliferavam à sua passagem e o perseguiam sem misericórdia buscando a paz dos arquivos. Nunca chegou a ler tantos livros quantos possuía. Ao mudar de cidade entregava-os aos cuidados dos amigos de mais confiança, embora nunca voltasse a ter notícia deles, e a vida de guerra o obrigou a deixar um rastro de mais de quatrocentas léguas de livros e papéis, da Bolívia à Venezuela".Eis o leitor inveterado Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios (1783/1830), o Libertador da América, descrito por Gabriel García Márquez em “O general em seu labirinto”.
segunda-feira, junho 27
‘Velhos’, pro lixo!
Onde se queimam livros um dia acaba por se queimar pessoas. Algo parecido falou Henrich Heine (1797-1856), num claro alerta para o que quase um século depois aconteceria em sua Alemanha, quando os nazistas queimaram livros e depois pessoas. E aonde se joga biblioteca no lixo? Acaba-se por também dar o mesmo tratamento de imprestável aos seres humanos?Num país, que se taxa como em desenvolvimento e proclama tanta disposição em acabar com a miséria, ainda há quem prefira jogar no lixo, sem sequer doar a bibliotecas comunitárias livros que estavam com “a velha ortografia”. E agora o acervo, em dia com a ortografia, enfeita as prateleiras de uma tradicional escola pública em Maricá, enquanto centenas de volumes, ainda em condições de ajudar muito leitor, foram condenados e despachados por estarem escritos dentro do “velho” acordo ortográfico. Apesar de pedidos de alunos e de professores, a higienização na biblioteca foi decretada com a eliminação dos “velhos” volumes.
A limpeza da modernidade, do desenvolvimento, decreta que os livros, com a velha ortografia, devem ser condenados aos quintos do inferno, no país em que milhares de pessoas não têm com que comprar livro mesmo a R$ 1.
Condenável a atitude de quem ordenou, do alto da sua sapiência pedagógica, essa destruição. E mais lamentável ainda que ocorra no mesmo colégio que lançou recentemente um informativo que dedica um dos seus artigos à leitura.
sexta-feira, junho 24
Quando a pedra vira livro... e arte
A artista plástica Denise Milan está expondo até o dia 15 na galeria Virgilio, em São Paulo, 25 obras inéditas reunidas na exposição Quartzoteca – A linguagem escondida das pedras. Lá pedras se transformam em livros para exibir outras pedras em situações complexas, diversas, delicadas e misteriosas.
quarta-feira, junho 22
O peso do livro
- Ufa, como pesa!Velho professor, curvado de tanta aula, aparece na porta da livraria. Descarrega enormes sacos com livros agora sob guarda do livreiro.
- Pesa no bolso, quando se compra; e pesa depois no braço quando nos desfazemos dele.
Do meio daqueles montes, veio uma voz, um pouco cavernosa sufocada pelos companheiros.
- Peso é castigo de quem tanto serviu e agora é desprezado. Devia pesar era na cabeça, replica do fundo de tanta poeira.
Do meio daqueles montes, veio uma voz, um pouco cavernosa sufocada pelos companheiros.
- Peso é castigo de quem tanto serviu e agora é desprezado. Devia pesar era na cabeça, replica do fundo de tanta poeira.
O livreiro, que ouve a réplica do livrinho entre os “desprezados”, mostra-se filosófico:
- É um doce fardo sempre à disposição de oferecer seus prazeres ocultos.
E lá estão todos os volumes, agora limpos, organizados, dispostos a servir mais uma vez a quem deles precisa e vai fazer bom proveito. Silenciosos, mas atentos a cada visitante que chega, pois há sempre a oportunidade de encontrar um novo lar e, quem sabe, rever velhos amigos.
E lá estão todos os volumes, agora limpos, organizados, dispostos a servir mais uma vez a quem deles precisa e vai fazer bom proveito. Silenciosos, mas atentos a cada visitante que chega, pois há sempre a oportunidade de encontrar um novo lar e, quem sabe, rever velhos amigos.
segunda-feira, junho 20
Livro viajante e aventureiro
Todos carregamos em nossa existência esses velhos companheiros. Tem-se quase a impressão de que se agarraram, que se grudaram a nós. Livros da infância que acreditávamos perdidos de vez e que estavam escondidos ali, sempre presentes, sempre fiéis, com a tinta um pouco mais desbotada, o papel amarelado. Cada dobra que apresentam corresponde a uma de nossas rugas. Eis a história de um deles em “Leve-me com você - As aventuras de um livro viajante” (R$ 44, Octavo), de Paul Desalmand, que nasce com 230 gramas e viu a luz na gráfica de La Manutention, às 16h37m do dia 17 de junho de 1983. As aventuras desde opúsculo começam na primeira ida à livraria, quando é abandonado no fundo de um depósito. Os encontros noturnos com os companheiros levam a conversas intrigantes. É o momento em que, pelo jogo das proximidades, Ana Karênina encontra San-Antonio, que papeia com um dicionário de citações que faz a corte a Virginia Woolf, ou, o “Crime e Castigo” de Dostoievski, em que o livro declara: “Só matei um piolho, Sonia um piolho inútil e nocivo” ou discussão entre Mauriac, Malraux, Malherbe, Marx e Maquiavel. As aventuras continuam protegendo uma leitora estendida na praia do sol de verão, embarcando para a África, acompanhando um mendigo sob as pontes de Paris, em posição de sentido na biblioteca de Nevers, até chegar à velhice e ao fim.
quarta-feira, junho 15
Falou!
"Se lêssemos mais, seríamos um país de gente mais sensível, de visão mais ampla, capaz de se entender melhor"
João Ubaldo Ribeiro
terça-feira, junho 14
Livraria ajuda a formar nova biblioteca
Há sete anos a livraria Canto do Livro colabora na formação de espaços de leitura no Rio de Janeiro. São quase 20 mil livros doados neste período em Maricá, em Itaipu e na capital fluminense. A mais nova doação ocorreu hoje com a entrega de aproximadamente 300 volumes dos mais diversos gêneros para o Centro de Produção Cultural, criado por Zélia Balbina e Alexandre Sampaio, da ong Poetas del Mundo. Os dois inauguram, no sábado, a partir das 18 horas, o novo polo de cultura para desenvolver uma série de projetos. O CPC , que assim já possui uma biblioteca inicial, fica na rua Domício da Gama, 107-B, em frente à praça Orlando de Barros Pimentel.
(Na foto, Zélia e, à esquerda, Alexandre)
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