segunda-feira, agosto 22

Sabedoria de mãe

Mãe tem sempre razão, segundo o dito popular. E todos devem concordar quanto à sabedoria daquela mãe, que surgiu na livraria para pagar a escolha de livros da filha. Ah, se todas no mundo fossem iguais a você...

"É preferível gastar em livro do que em pizza, hambúrguer, batata frita, isso tudo que engorda"

Ilustração: “S. João comendo a Bíblia”, de Giusto di Giovanni de Menabuoi (1320-1391)

quinta-feira, agosto 18

Quem lia no Brasil do século XIX?

As múltiplas formas de formação de leitores e das práticas de leituras vivenciadas na cidade de São Paulo durante o século XIX são apresentadas pela professora Marisa Midori Deaecto em “O império dos livros: Instituições e práticas de leitura na São Paulo Oitocentista” (Edusp, R$ 90). Quem lia? O que era lido? Onde se lia? A leitura era uma atividade compartilhada ou solitária? Riquezas e livros caminhavam juntos? Quem foram os amantes declarados dos livros na São Paulo d’antanho? E quais seus principais inimigos? São essas e outras perguntas que a autora procura responder na obra lançada esta semana.

quarta-feira, agosto 17

Venda de livros aumentou em 2010

Os brasileiros compraram mais livros em 2010 com uma expansão no mercado editorial de 13,12%. Os dados foram divulgados no estudo Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Apesar do aumento nas vendas, houve uma redução de 4,91 % no preço médio dos livros, que passou de R$ 13,61, em 2009, para R$ 12,94, no ano passado. As livrarias, e seus respectivos e-commerces, ainda lideram os canais de comercialização com 42,44%. Em seguida estão os distribuidores das editoras (23,78%), a venda direta (16,64%), os supermercados (2,91%) e outros portais de internet não vinculados às livrarias (1,41%).

terça-feira, agosto 16

Para fisgar novos leitores

“(...) Vai deixando livros por perto, arme armadilhas como ratoeiras. De repente, ele (o adolescente) tropeça no livro. Deixe os livros por perto. Um dia, quem sabe, ele pode pegar o livro pelo título, pela capa. Pode ler a primeira frase.”
Ana Paula Maia, durante entrevista no Paiol Literário, promovido pelo jornal Rascunho, em julho

quarta-feira, agosto 10

Livro abaixo de R$ 10

A Fundação Biblioteca Nacional vai apresentar aos editores, na próxima semana, em São Paulo, o Programa do Livro Popular com o objetivo de ofertar livros abaixo de R$ 10. O coordenador do programa, Tuchaua Rodrigues, aposta que o aumento da escala barateará os livros, incentivando a leitura. Na apresentação do projeto, o presidente da FBN, Galeno Amorim, definirá os incentivo para que as editoras apostem na publicação de livros mais baratos, a fim de alcançar os consumidores das classes C, D e E.

sexta-feira, agosto 5

Rato best-seller

Geronimo Stilton, “autor” de obras como “O fantasma do metrô”, “Omanuscrito de Nostrarratus”, “O sorriso de Mona Ratisa”, é o rato mais rico do mundo. Seus livros já venderam mais de 55 milhões de cópias, mas o “escritor”, italiano, ainda continua a morar em Ratônia.

quinta-feira, agosto 4

BN recebe inéditos de Nelson Sodré



A Biblioteca Nacional, em ato público, recebe amanhã em sua Divisão de Manuscritos a doação de documentos e livros do escritor Nelson Werneck Sodré. “O objetivo é doar para a BN até o final do ano outros materiais dos últimos anos de Nelson e todo o material reunido desde sua morte, que estão sendo guardados para compor o livro do centenário, mas virão, posteriormente, a fazer parte de seu acervo ”, destaca Olga Sodré curadora do material.
O historiador, quatro antes de seu falecimento, em 1995, doou todo seu arquivo pessoal à Biblioteca Nacional. No Inventário da Coleção Nelson Werneck Sodré, atualmente arquivada na Divisão de Manuscritos, existem 597 documentos, 346 fotografias, 17 postais, além de fitas de vídeos e disco compacto. Dentre as correspondências, estão cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade, Luís Carlos Prestes, Fidel Castro, Jorge Amado, Graciliano Ramos, entre outros. Dentre os manuscritos, também muitos artigos publicados nos jornais e também suas aulas, ministradas no ISEB.
No sábado, a BN encerra a mostra do centenário de Nelson Werneck Sodré com cerca de 30 documentos, entre fotos, originais, desenhos (feitos para contos do autor) e correspondência enviada por escritores.

terça-feira, agosto 2

Livro digital: discussão em site

A Câmara Brasileira do Livro disponibilizou no site do 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital o conteúdo de algumas das palestras do evento realizado na semana passada em São Paulo. Estão incluídas as palestras: “Comportamento do consumidor”, de Dominique Raccah; “Como competir com a cultura do gratuito”, de Sandra Reimão e Nicholas Serrano; “O novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital”, de Pieter Swinkels, Diego Vorobechik e Marcos Pereira; “Comunidades verticais desenvolvidas por editores: Um mundo de novas oportunidades”, de Joseph Craven; “Marketing para o livro digital”, de Marha Gabriel; “Estratégias para redes sociais”, de Gil Giardelli, Michele Fernandes Aranha e Michel Lent; “O novo papel do editor”, de Riccardo Cavallero; “DRM soluções de equilíbrio e prevenção”, de Carlos Viceconti e Patricia Peck; e “Mídias sociais e conteúdo: Como as redes sociais permitem novos modelos de negócios, conceitos e mercados”, de Sol Rosenberg.
Em sua coluna no Publishnews, Felipe Lindoso uma análise das palestras promovidas pela CBL no artigo “O que se ganha em um congresso?”. Lindoso finaliza o artigo advertindo sobre quem está ganhando a guerra. “O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas”.

segunda-feira, agosto 1

Um tempo no refúgio

“Quem diz livraria diz refúgio. (...) Há tempo de comprar e tempo de olhar. E, melhor ainda, tempo de tirar da estante o livro desejado e sentar-se junto a uma mesinha à parte, e ler e ler, sem pressa, ‘longe do estéril turbilhão da rua’. Esse é o tem sem tempo, o mais precioso dos bens, que pedimos aos prezados livreiros que nos ofertem generosamente, gratuitamente.” O texto de memória do crítico Alfredo Bosi sobre suas viagens por livrarias e bibliotecas na São Paulo dos anos 1950 é o ponto de partida para as divagações do historiador e escritor Roney Cytrynowicz em “O algoritmo e o tempo generoso de passear nas livrarias”

quinta-feira, julho 28

Livro faz bem à saúde

Para livreiros que precisarem lubrificar as juntas, a dica é excelente. Bastam apenas uns bons calhamaços, daqueles que já ninguém mais procura, e aquele tempinho livre entre uma e outra venda. Fica-se em forma rapidinho.

quarta-feira, julho 27

Kafka desenhista



Não é raro escritor desenhar. No Brasil, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Erico Veríssimo são alguns dos artistas do desenho e mestres escritores. No exterior, também fizeram seus traços Goethe, Victor Hugo, William Blake, Lewis Carroll, García Lorca, Dino Buzzati, Bruno Schulz. E agora na Espanha sai publicada uma obra mostrando outro escritor desenhista: “Dibujos de Franz Kafka”, editado por Niels Bokhove y Marijke van Dorst, reúne 41 desenhos.
Kafka, em testamento ao amigo Max Brod, anunciou seu desejo que fossem também incinerados seus desenhos. Agora suspeita-se que as caixas com material do autor de “A metamorfose”, guardadas em cofres em Zurique e Tel Aviv pelas herdeiras de Brod, possam conter ainda mais desenhos inéditos. Veja aqui

terça-feira, julho 26

Morador de rua tem direito ao livro

A leitura também vai poder chegar ao morador de rua, ao menos em São Paulo, onde o Instituto Mobilidade Verde desenvolveu uma bicicloteca, adaptada com compartimento traseiro que tem capacidade para armazenar até 150 kg de livros, para percorrer as ruas das cidades brasileiras. A primeira unidade foi entregue esta semana ao Movimento Estadual de População em Situação de Rua de São Paulo. Até o final do ano, o Instituto ainda pretende entregar outras dez biciclotecas, em diferentes cidades brasileiras, para ONGs comprometidas com projetos que visam levar cultura à comunidade, que receberão todo o auxílio do IMV para implantar a iniciativa. Para ganhar o livro, o desabrigado precisa fazer uma promessa de doar o livro para outro morador de rua, quando terminar a leitura, já que seria inviável pedir para que obras fossem devolvidas à biblioteca, como de costume.

segunda-feira, julho 25

Dia Nacional do Escritor


Sem eles, ou qualquer autor nas artes, o mundo seria uma falta de imaginação. E vivería-se num eterno utilitarismo. Principalmente, não haveria livreiros, que tanta falta nos fazem.

quarta-feira, julho 20

Santa ignorância

"(...) Não sabemos onde começa e onde terrmina a literatura. E é essa ignorância, honra e alegria da própria literatura, que nos estimula e salva - a nós que somos criadores literários ou simples leitores - e nos permite percorrer, da infância à morte, um território infindável, festejando a diversidade e a diferença, num silêncio visitado pela aceitação tolerante e pela surpresa, e até pela veneração"

Lêdo Ivo, em "O ajudante de mentiroso"

terça-feira, julho 19

Morte da gigante

A segunda maior cadeia de livrarias dos Estados Unidos, a Borders, anunciou no final da segunda-feira a sua liquidação, fechando as 399 lojas restantes - 237 já fecharam desde o início do processo - e deixando cerca de 10.700 desempregados. A gigante do livro nasceu há 40 anos na cidade Ann Arbor, no Michigan, onde as prateleiras antes cheias ficaram no esqueleto. E um dos paraísos dos leitores, é agora uma imensidão com esqueletos de estantes. Mais notícias sobre a liquidação aqui

sexta-feira, julho 15

Limpando o pó da memória

Em meio ao pó, estantes e mais estantes entulhadas de livros, o livreiro também é um pouco arqueólogo. Fuça aqui e ali, folheia uma obra e outra, vai passando tempo e conhecendo muitas e boas histórias. Às vezes, até faz lá suas descobertas históricas. E que surpresas encontra! Assim aconteceu sobre Modesto Dias de Abreu e Silva. Escritor, teatrólogo, filólogo e jornalista, Modesto de Abreu foi um dos fundadores da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro (ACLERJ), da Academia Brasileira de Jornalismo (ABJ) e da Academia Brasileira de Filologia. Em sua bibliografia se destacam ensaios como “Machado de Assis: O homem e a obra”, “Biógrafos e críticos de Machado de Assis” e “Infância e Adolescência de Machado de Assis”.
Apesar do currículo e das obras, continua a ser um desconhecido na própria cidade em que nasceu a 1 de junho de 1901. Não mereceu, portanto, ser patrono de nenhuma cadeira na Academia do município, nem muito menos ser nome de rua, de praça, de escola. Seus 110 anos de nascimento passaram em branco como em branco está a memória local sobre esse “filho de pescador e comerciante e de uma habilidosa senhora no conserto de redes e de fiação do tucum” que nasceu no início do século passado “numa casa de taipa, coberta de sapê, situada num canto de praia conhecido como praia de São Bento”. Morreu, cego, aos 95 anos, no dia 2 de julho de 1996, no Rio, bem longe da “parte extrema e meridional da praia maior que se conhece até hoje pelo nome de Itaipuaçu” (Maricá).

terça-feira, julho 12

O primeiro best-seller é de 1494

As falácias da Justiça e da Igreja, a avidez e vulgaridades dos nobres e dos pobres, ou mesmo os exageros da moda, coisas de hoje, já estavam bem descritas no primeiro best-seller de todos os tempos, publicado em 1494. Sebastian Brant (1457-1521) ironizou tão bem a sociedade do seu tempo que “A Nau dos Insensatos” (Octavo, R$ 58) teve 15 edições em vida do autor e foi traduzida para vários idiomas, inclusive se tornando a primeira obra da literatura alemã a ser traduzida para o inglês, tornando Brant o autor mais renomado da época na Europa. Os 112 capítulos curtos inauguraram uma nova vertente na literatura mundial, a literatura da loucura, inspirando grandes clássicos como “Rei Lear” (aproximadamente 1606), de William Shakespeare; “O Elogio da loucura” (1511), de Erasmo; “O aventuroso Simplicissimus” (1667), de Grimmelshausen.

segunda-feira, julho 11

Debate sobre ser editor e livreiro

Três palestras e um debate marcarão, na sexta-feira, a partir das 14 horas, na Fundação Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, o colóquio “Ser editor, ser livreiro, no Brasil e em Portugal”. A mesa de debate reunirá Milena Duchiade (livraria Leonardo Da Vinci) e Renato Casimiro (EdUerj), sob a mediação de Aníbal Bragança (UFF/CNPq). Os palestrantes serão Mário Feijó (ECO/UFRJ), com “A formação de produtores editoriais no Brasil”, Thaís Sena Schettino (ifcs/ufRJ), com “Comércio e cultura:a identidade profissional do livreiro”, e Nuno Medeiros (Universidade Nova Lisboa), com “Ser editor em Portugal no século XX: tensões e transformações”. Durante o evento ainda serão lançadas a Revista do Livro da Biblioteca Nacional n° 34 e a Revista Poesia Sempre, números 33 e 34.

Um caldeirão de efervescência cultural

A pensão de 85 apartamentos localizada em Botafogo, no Rio de Janeiro, foi o endereço e o abrigo de poetas, compositores, jornalistas, artistas plásticos – loucos, cabeludos e “desbundados” que vinham de todos os cantos do país e encontravam ali o jardim ideal para plantar suas “folhas de sonho” e materializar verdadeiras obras de arte. O local, hoje ocupado por um dos maiores shopping centers da cidade, foi a sede de um verdadeiro caldeirão cultural e o cenário de inúmeras histórias engraçadas, românticas e muito polêmicas.
Mais de 40 anos depois, o jornalista e escritor Toninho Vaz, ele próprio uma das figuras que contribuíram para a consolidação da imagem do local como símbolo da vanguarda cultural e política dos anos 1960. Em “Solar da Fossa” (Casa da Palavra, R$ 39,90), Toninho Vaz reúne relatos que divertem o leitor ao mesmo tempo em que resgatam a memória de um dos períodos mais ricos da história do Brasil. Há declarações, e fotos inéditas, de personalidades como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Gal Costa, Paulo Coelho, José Wilker, Tim Maia, Betty Faria, entre outras. O prefácio escrito pelo autor e jornalista Ruy Castro, também antigo morador do Solar da Fossa, destaca que o casarão “serviu de incubadora de talentos, ideias e ousadias e mudou para sempre os rumos da cultura brasileira”.

quinta-feira, julho 7

I'm reading in the rain

Sob a chuva e o frio, livreiro conta com um abrigo perfeito: a própria livraria. As paredes forradas de livros são um ótimo aquecedor e ainda há muito alimento para o lazer, o descanso e até para driblar com humor o mau tempo.