terça-feira, setembro 6

Livrarias diferentes

Resultado de imagem para Letters MattersFlorentin Bosse, alemão, trabalhou anos num banco, de fatinho e gravata, sonhando com o dia em que tivesse ganho o suficiente para comprar uma vinha e gozar a reforma. Mas isto de bancos, já se sabe, não é lá muito seguro – e a vida dele deu uma reviravolta (suponho que tenha sido despedido, mas não tenho a certeza). Decidiu, pois, refugiar-se primeiro na Natureza, fazer a seguir uma «caminhada» de quase 4 mil quilómetros em seis meses e, por gostar tanto de ler e querer fazer algo pelos outros e pela literatura, pediu finalmente a leitores vorazes espalhados pelo mundo que lhe dessem a lista dos seus dez livros favoritos para criar uma espécie de livraria "ideal" que combatesse as pressões do mercado. A livraria, que conta com mais de dois milhares de livros escolhidos por cerca de 500 leitores (Miguel Esteves Cardoso é um deles), chama-se Letters Matters e está situada em Lisboa, na Rua Rodrigo da Fonseca, n.º 21, contando com uma bonita decoração da qual fazem parte retratos de escritores como Oscar Wilde ou Virginia Woolf. No interior estão também os livros da vida de muita gente conhecida, tendo Florentin recolhido as listas de livros preferidos de Hemingway ou García Márquez da Internet, que acrescentou à dos "curadores" ainda vivos. Vale a pena entrar numa livraria que praticamente não tem best sellers e ver quem aconselha o quê. Literatura para quem gosta de literatura.
Maria do Rosário Pedreira

segunda-feira, setembro 5

Mais qu'est-ce qui se passe sous la couverture ?:

Last poem (ditado pelo poeta no dia da sua morte)

É talvez o último dia da minha vida. 
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, para lhe dizer adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada. 
Alberto Caeiro

Jamais discuta com fanáticos

Ah, conselhos… Um dia, mesmo contra a sua vontade, traindo um grave compromisso assumido no calor do travesseiro, daqueles íntimos mesmo, você cairá na tentação de proferir algum. E, só para piorar, ele será acompanhado de termos peremptórios, tipo sempre ou jamais, estes irmãos gêmeos que nos confundem quando teimam em ser muito parecidos. Hoje é meu dia de ser infiel. Tranquei o juízo no quarto escuro e darei um conselho: jamais discuta com fanáticos.

Henn Kim 
Primeiro, porque eles não querem ouvir o que você tem a dizer. O fanático é imune ao contraponto, tem nojo da moderação, despreza o contraditório. Maniqueísta de carteirinha (e com a mensalidade em dia), só conhece dois lados para qualquer questão: o certo (dele) e o errado (um milímetro fora dele). Qualquer frase que inicia com “mas”, por exemplo, dispara no fanático um alerta de defesa. Uma pessoa normal, depois de um “mas”, começa a rever conceitos, nota desconhecer de todos os ângulos ou, sei lá, admite falhas na própria percepção. E não vê risco algum nisso. Sequer julga ofensivo. O fanático, garanto, não é uma pessoa normal.

Segundo, jamais discuta com fanáticos pois são todos uns radicais empedernidos, e raízes não existem para se mover. Quem espera deles o sentimento de alteridade, perde seu tempo. Sabe empatia, ou a menor disposição para se colocar no lugar do outro? Até mesmo o reconhecimento de que exista mérito fora de sua crença? Isso não é para o fanático. Pior: em questão de minutos estará acusando você de ser um fanático. Isso se ele despreza a sua pessoa. Caso simpatize, chamará você de burro, alienado, inocente, idiota, capacho… Ou seja, incapaz de pensar pela própria cabeça – por vias tortas, uma espécie de absolvição benemerente.

No acaso de o leitor aí do outro lado ser um fanático (risco crescente destes tempos), o conselho que tenho a dar troca de irmão gêmeo: sempre discuta com um fanático. No momento em que ele comunga de seus pensamentos, torna-se uma festa! Vocês ficarão concordando cada vez mais efusivamente e xingarão em passeata todos os demais habitantes do planeta. Quando for um fanático contrário, orgasmos múltiplos estarão garantidos: ambos espumarão de raiva e terão mais e mais e mais motivos para radicalizar o discurso. Fanáticos opostos se justificam, explicam-se, dão razão à luta.

Porém, se acontecer de dois fanáticos opostos começarem uma disputa na minha presença, e eu me afastar em desconsolo, muito cuidado! Ao me considerar burro, alienado, inocente, idiota e capacho, o que não chega a surpreender, estará concordando em plenitude com o fanático adversário. E isso ninguém quer, né? Já pensou o horror? O que vão dizer em casa?

Rubem Penz

Para iluminar o mundo

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Minha casa, minha vida

A casa está dividida em dois. De um lado, onde ficam a sala e o pequeno banheiro de visitas, estão o meu colchão e os meus travesseiros, os carregadores dos celulares, as roupas e os objetos do dia e dia. Do outro, onde ficam o escritório e o meu quarto parcialmente vazio, está o que, até outro dia, era um banheiro, e agora é uma obra.

Há uma porta no corredor, que separa essas duas áreas em conflito.

Os gatos não entendem o que está acontecendo. Os seus cantinhos favoritos estão revirados, as suas mantas e camas estão fora dos lugares habituais e há bípedes estranhos em circulação, bípedes que não só vivem no meio do caos como, aparentemente, fabricam o caos.

Muchas lecturas pendientes y poco tiempo para leer (ilustración de Lisk Feng)
Lisk Feng
Em geral avessos a novidades, já se acostumaram com os operários, ainda que mantenham prudente e respeitosa distância. Assim como o resto da casa, eles também estão cobertos por uma camada insidiosa de poeira. Matilda, o unicórnio, que brilha à noite de tão clar,a, está encardida; Toró, obcecado pela higiene pessoal, chega a vomitar de tanto cimento engolido.

Flor, Fonseca, Tiziu, Tobias e Lola, resignados, tentam manter a pose e o asseio, mas já descobriram que todo esforço é inútil.

Apenas Frida Gahto, que pouco tem descido do alto da sua prateleira, consegue conservar o pelo lustroso e imaculado.

Pobres gatos. Mal sabem eles que, no fim deste túnel, não há luz: há banho.

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É difícil raciocinar, viver e escrever com obra em casa. Tudo está sujo, mesmo o que está limpo. Tudo é barulho, mesmo quando há silêncio. Tudo é enervante, mesmo quando a tarde chega ao fim e o trabalho do dia termina.

Não é a primeira vez que isso acontece aqui em casa. Como gastei todo o dinheiro que tinha e que não tinha para comprar o apartamento, não sobrou nada, então, para fazer as reformas necessárias. Elas tiveram que vir aos poucos.

Quando as crianças eram pequenas, fizemos o que ficou faltando da cozinha. Quando viraram adolescentes, trocamos o chão. Imaginem isso: trocar o chão de um apartamento inteiro com duas crianças crescidas e seis gatos em casa.

Eu já não consigo imaginar mais.

O banheiro do meu quarto ficou por último. Ele era pesado e lúgubre, feito em granito escuro, mas funcionava.

Com o tempo, nem isso. Apartamentos antigos têm espaços bons, mas canos ruins. A gente vai deixando para lá porque se acostuma, porque obra é caro, porque há outras prioridades, porque os gatos.

Mas um dia, em pleno inverno, me dei conta de que, há anos, eu já não tinha água quente na pia. A torneira sequer rodava mais.

A minha relação com aquele banheiro acabou ali.

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As casas envelhecem junto com os donos. Em geral compramos os nossos imóveis no auge das nossas vidas produtivas, e eles tendem a congelar aquele momento do tempo. Os azulejos da cozinha e do banheiro, as ferragens das pias, os lustres, os interruptores: tudo fala de uma época.

Gosto de fazer arqueologia urbana nos anúncios do Zap. Eles já foram mais divertidos. Nos primeiros tempos, quando a ideia de negociar imóveis on-line era nova, as fotos eram ingênuas e espontâneas, e mostravam casas desarrumadas, panos de chão soltos no banheiro, roupas no varal; às vezes, aqui e ali, se via uma tia no sofá, uma criança que continuou brincando no quarto. Hoje todos já se deram conta do poder das imagens, e mesmo os mais humildes conjugados são exibidos com certa arte, paredes pintadas, janelas brilhando.

Bairros tendem a envelhecer juntos.

Em Copacabana estão os apartamentos dos velhinhos que se foram, postos à venda pelos familiares, com os seus antigos armários embutidos, os tanques de alvenaria, as torneiras que estavam tão em moda nos anos 70. Eles me lembram os apartamentos dos meus tios, os grandes triunfos materiais daqueles imigrantes trabalhadores e sofridos, postos nos trinques quando foi possível, mantidos a duras penas ao longo da vida.

Gosto de imaginar a história dos apartamentos e as vidas que passaram por eles. Gosto dos que têm personalidade, daqueles em que os moradores investiram pelo menos um pouco de criatividade além do dinheiro. Por outro lado, fico deprimida quando vejo uma enfiada de imóveis obviamente reformados para aluguel ou para serem passados adiante, despidos de qualquer humanidade nos seus materiais básicos, frios e sem erro.

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Volta e meia me pego olhando para a casa, a minha casa, com olhos alheios. Gosto que ela se pareça comigo, mas não quero que tenha a minha idade. Quero que tenha a idade do seu tempo, do meu tempo, de ontem e de hoje, sem entregar de imediato que ali vive uma velhinha que se mudou em mil novecentos e antigamente.

Quero, sobretudo, que saia água das torneiras, quando abertas, e que não saia, quando fechadas.

Tenho a exata noção desse privilégio.

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Hoje tive que fechar a porta do corredor enquanto trabalho no escritório porque a nova esquadria do banheiro ainda não chegou, e o buraco da janela está aberto. É um enorme risco para os gatos, que estão trancados do lado de lá, na sala.

Eles estão todos amontoados diante da porta, sorumbáticos, me esperando. Às vezes tentam forçar a maçaneta, às vezes miam, insistindo para que eu compartilhe com eles as agruras da vida revirada.

Calma, que eu já estou indo.
Cora Rónai

domingo, setembro 4

Manhã de sol

tacomablue:
“Reading in the sun
”

A Maior Flor do Mundo


E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
José Saramago

Biblioteca encantada

A pílula da longevidade

Que a leitura distrai, informa, instrui, leva-nos ao passado e ao futuro, passando de quebra pelo presente, todos sabemos. Há tempos circula entre nós a expressão “viagem da leitura” para sintetizar essa ideia.

Poucos, no entanto, conhecem os outros benefícios da leitura, especificamente para o cérebro. Estudos feitos por neurocientistas, inclusive no Brasil, mostram que um bom livro de ficção acelera a velocidade do raciocínio e cria circuitos neuroniais duradouros.

Assim, a leitura ajuda-nos a chegar à idade avançada com menor tendência para problemas como a doença de Alzheimer. Comprove em sua própria família: seus parentes que leram e leem bastante provavelmente têm boa qualidade de vida na velhice.

Outros estudos demonstraram que quem lê raciocina melhor, pois possui maior contato com as emoções – os livros são doses maciças de emoção, muitas das quais não experimentaremos durante a vida, a não ser nas páginas de um romance ou de um conto. A emoção precede a razão. Melhor emoção, melhor razão. Palavra de estudiosos da mente.

Também se descobriu que os leitores assíduos são mais tolerantes, menos egoístas, mais chegados à chamada Teoria da Mente: conseguem colocar-se no lugar do outro, portanto percebem com maior facilidade as emoções alheias. Daí terem afirmado que os devoradores de livros são capazes de ler o pensamento alheio, o que é um exagero.

Entre os jovens, constatou-se que os bons leitores arrumam um número maior de companheiros ou companheiras. A evolução parece privilegiá-los.

Por outro lado, em nosso país a questão da leitura continua catastrófica. Para ficar apenas num escândalo: um terço dos formandos em nossos cursos superiores é analfabeto funcional, ou seja, não sabe ler nem escrever direito. Numa avaliação internacional de compreensão de textos, entre quarenta países, ficamos na vice-lanterna. Só ganhamos dos indonésios.

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Na semana passada, a mídia divulgou uma notícia surpreendente, vinda da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, após o estudo de um batalhão de quase 4000 pessoas por mais de uma década: quem lê tende a viver 20% a mais que o não leitor. 20% a mais de vida! Por exemplo, quem chegaria aos 80, com bons romances tenderia a beirar os 96. Quanto mais se lê, mais se vive.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores retiraram os fatores que poderiam influenciar o resultado e brindaram-nos com a novidade: a leitura, além de todos os benefícios citados acima, é ainda uma pílula de longevidade. Divertindo, ela aumenta nossos dias. Que tal começar a ler aquele romance, sempre adiado, ainda hoje? Você o terminará mais longevo.

Enquanto isso, nosso país não parece se importar com a questão. Na escola, cada vez lemos menos e pior. Os programas de renovação de bibliotecas do governo federal foram esfacelados. O incentivo aos alunos caiu. O ânimo dos professores despencou.

A nova descoberta tem consequências para a educação. Além de prejudicar a qualidade de vida, a falta de leitura reduz a própria vida. Não é um bom motivo a mais para cobrarmos da administração pública uma reviravolta em nosso atual padrão de leitura?

Luís Giffoni

sábado, setembro 3

Chamado à leitura

Cada libro tiene su música, su ritmo (ilustración de Paul Garland)
 Paul Garland

O bibliófilo

John F. Peto (1854–1907)

O autêntico bibliófilo tem algo do homo eroticus: se este deseja amar todas as mulheres, como o insatisfeito dom Juan, aquele anseia possuir todos os livros
Educado Frieiro

Bom proveito

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Assim começa o livro...

Tom estava no café de Georges e Marie com uma xícara quase cheia de café espresso na mão. Já tinha pago, e os dois maços de Marlboro para Héloïse se avolumavam no bolso do paletó. Em pé, assistia a um jogo numa máquina de fliperama. A tela mostrava um motociclista de desenho animado se arrojando em direção ao fundo, a ilusão de velocidade criada por uma cerca que vinha avançando dos dois lados da estrada. O jogador manipulava um meio volante, fazendo o motoqueiro ultrapassar um carro mais lento, ou saltar como um cavalo por cima de um muro que surgia de repente no meio da estrada. Se o motociclista (jogador) não saltasse a tempo, havia um impacto silencioso, aparecia uma estrela negra e dourada indicando uma colisão, o motoqueiro se acabava e o jogo também. Tom tinha assistido a esse jogo muitas vezes (era o mais popular do café), mas nunca tinha jogado. Por algum motivo, não queria. “Non-non!” De trás do balcão veio a voz cantada de Marie por cima da barulheira de costume, contestando a opinião de algum freguês, provavelmente política. Ela e seu marido eram convictos cidadãos de esquerda. “Écoutez: Mitterand...”


Passou pela cabeça de Tom que Georges e Marie não gostavam, porém, da imigração de africanos do Norte: “Eh, Marie, deux pastis!” Era o gordo Georges com um avental branco meio sujo, por cima da camisa e da calça, servindo as poucas mesas, onde os fregueses bebiam e ocasionalmente comiam batatas fritas e ovos cozidos. A juke-box tocava um velho cha-cha-chá. Uma silenciosa estrela negra e dourada! Os espectadores deram um gemido de solidariedade. Mono. Tudo acabado. A tela piscou sua mensagem silenciosa, obcecada, INSERIR MOEDAS INSERIR MOEDAS INSERIR MOEDAS, e o operário de jeans obedientemente remexeu num bolso, inseriu mais moedas e o jogo recomeçou, o motociclista em plena forma, chispando para o fundo, pronto para qualquer coisa, desviando-se com perícia de um barril que apareceu na pista, saltando suavemente a primeira barreira. O sujeito na direção estava atento, decidido a fazer seu homenzinho chegar até o final.

Tom pensou em Héloïse, na viagem dela para o Marrocos. Queria visitar Tânger, Casablanca, talvez Marrakesh. E Tom tinha concordado em ir com ela. Afinal, não era uma das expedições aventurosas que ela inventava, que exigiam tomar vacinas em hospitais antes de partir, e competia a ele, como seu marido, acompanhá-la em algumas de suas viagens. Héloïse tinha duas ou três inspirações por ano, e nem todas punha em prática. Tom não estava com vontade de tirar férias agora. Era início de agosto, o Marrocos estaria no auge do calor, e ele adorava suas próprias dálias e peônias nesta época do ano, tinha o maior prazer em cortar duas ou três flores frescas para a sala quase todos os dias. Gostava do seu jardim, e também gostava bastante de Henri, o faz-tudo, que o ajudava nas tarefas maiores, um gigante quando se tratava de força bruta, embora não o homem certo para outras tarefas.

sexta-feira, setembro 2

É de manhã!

berfrois:
“   Aleksandr Deyneka, Girl With a Book, 1934   ”
Aleksandr Deyneka

Local de cura

Beautiful watercolor - book-loving princess would love this in her room!:
No Egito, as bibliotecas eram chamadas ‘tesouro dos remédios da alma’. De fato, é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras
Jacques Bénigne Bossuet (1627-1704)

Chega de espelhinhos!

Santiago

De pequenino

Embora esteja convencida de que há uma certa dose de acaso no facto de alguém gostar de ler (é uma lotaria, um clique, e pode nunca acontecer o casamento entre livro e leitor ser tão bom que se queira continuar naquela relação), é também sabido que os bons hábitos devem ser criados na infância e que, por isso, a escola tem de ser uma das principais responsáveis por passar a ideia de que a leitura é importante e contribui para o desenvolvimento individual e a aprendizagem do mundo. No Paraná (Brasil), uma escola evangélica (com o nome Martin Luther, vejam lá) resolveu, por isso, evocar a importância dos livros de uma forma original e curiosa, rodeando o espaço escolar de um muro integralmente constituído por enormes lombadas de livros que podem ser apreciadas por quem passa na rua. De forma bastante democrática, inclui livros de grande tiragem e não tanto sumo (como, por exemplo, o best seller A Culpa é das Estrelas) ao lado de clássicos para a infância, como As Crónicas de Narnia, de C. S. Lewis, que há muitos anos foram publicadas numa editora em que trabalhei e que, por isso, li na íntegra, achando que a miudagem só poderia gostar das aventuras daqueles garotos que entram no armário e descobrem lá dentro uma porta que dá para um mundo fantástico. Não sei se não seria mais vantajoso virar as lombadas para o interior da escola, mas, pelo menos, a ideia é gira. E talvez haja meninos cujas mães digam para esperarem todos os dias por elas diante de um livro distinto, levando-os a aprender os nomes de tantos autores e títulos diferentes. Ora vejam a foto e digam lá se não é um muro digno de respeito.

quinta-feira, setembro 1

Hora de trabalhar

“(by Miguel Almagro)”
 Miguel Almagro

A incompetência histórica

the-flying-salmon:
“In the Lubeck Orphanage, 1894, Gotthard Kuehl (1850-1915), Germany
”
Gotthard Kuehl (1850-1915) 

Se não conseguimos em 500 anos colocar uma biblioteca em cada canto do País, por outro lado, cada cidadão está se convertendo, à revelia de nossa incompetência histórica em um "consumidor" de informação através da informática, do Google

Affonso Romando de Sant'Anna