quarta-feira, junho 11

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Biblioteca apenas para 12,4% das escolas

Só 12,4% das escolas públicas da cidade de São Paulo, de ensino fundamental e médio nas redes municipal e estadual, têm bibliotecas. Os dados revelam a falta de equipamentos na rede pública. Os governos municipal e estadual dizem que há esforços para melhorar a estrutura. Os números são do Censo Escolar 2013. Se for colocada na conta a educação infantil, a proporção de escolas públicas paulistanas com biblioteca recua para 9,9%. A média nacional é de 28,9% dos colégios públicos com equipamentos em todas as fases de ensino. As redes, porém, precisam correr: uma lei federal, de 2010, obriga a instalação de biblioteca nas escolas até 2020, com ao menos um livro por aluno matriculado. 

A Maior Flor do Mundo

Visita obrigatória

"Para o “intelectual” a livraria é um lugar de visita obrigatória quase que todos os dias. Lugar imprescindível para uma também imprescindível informação. Lugar de acolhida em que se chega inclusive a uma certa ou muito intensa amizade com os livreiros. Que seria de uma cidade sem livrarias?"
Enrique Badosa

terça-feira, junho 10

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Leitura de pernas pra lua

Lição no sebo


No fundo da loja, cercado por livros para marcar, o livreiro até pode parecer mais um comerciante. O comércio só existe ali nos momentos de compra e venda. De resto, há muita conversa mesmo que os fregueses não ouçam. É que num sebo o alfarrabista bem pode conversar com o livro como se falasse com seus botões. Há ali lições, e tantas, sem conta mesmo.
Na montanha de livros, surgem os volumes do escritor que marcou a vida pelos diários. Registrou, por dias e dias, o mundo passando pela janela. Talvez o dono dos livros tenha esgotado sua cota de paciência de ler sobre tanta vida vista através de óculos. Preferiu arejar sua biblioteca. Limpou os tijolaços, que já pesavam só estarem enfileirados nas estantes. Selecionou muito e criou um espaço, onde seus olhos circulam mais à vontade e descobriu espaço para colocar livros de menor peso e muito mais inteligência.
A montoeira de livros também pode ter sido enviada pela viúva ou o parente que ficou encarregado de despachar o monte de “papel velho”. Nome famoso na capa, o despachante da tralha bem que pensou em um certo lucro com a fama de um e a riqueza da livraria do parente. Errou nos dois. A fama espalhou muitos livros vendidos a tostões e o leitor era rico só quando investia em livro.
O livreiro bem sabe que não adianta escrever tanto. Acaba tudo vendido por uns trocados ou comido por uma trituradora de papel e pela traças. O livro chega até mesmo a parecer com o próprio homem. De que adianta a exibição de cultura, ou o esbanjamento de cuidado editorial, o que o leitor quer mesmo é descobrir o autor mesmo que seja num folheto. Nisso o livreiro está sempre de olho. Põe calhamaços a um tostão furado, e quer fortunas por um papelucho.
(Extraído de "0 velho livreiro", coluna no extinto Leitores&Livros)           

Mini-livro de grandes eventos

O artista Evan Lorenzen escreveu, ilustrou e publicou The Mini Book of Major Events (“O mini-livro dos grandes eventos”), que apesar das mínimas dimensões mostra a evolução da história do mundo desde os primeiros sinais de vida à descoberta do fogo e extinção dos dinossauros. Pequeno, minimalista e curioso livrinho que entra para a lista dos menores do mundo. 








segunda-feira, junho 9

Visitando a BEA


“Esqueça tudo o que sabe sobre feiras de livro”, me disse um bom amigo, velho conhecedor do mercado editorial norte-americano, pouco antes de sair para Nova Iorque. “A Book Expo América é... diferente”, acrescentou em tom misterioso. Depois se negou a falar mais, enquanto ria com o ar confiado de quem saber que o seu interlocutor vai ter uma surpresa. Reconheço que não entendi por completo a que se referia até pisar no vestíbulo do Javits Center, em plena Midtown de Manhattan. Estive em inumeráveis feiras literárias por toda a Europa, desde a especializada Feira de Londres à popular (e populosa) Feira do Livro de Madri. Mas nada é comparável ao que a Book Expo América (BEA) oferece. Tudo é grande, excessivo, ostentoso e terrivelmente comercial. Muito americana, em resumo. E apesar da sua popularidade do outro lado do oceano, é quase desconhecida na Europa, exceto em círculos especializados".
O espanhol Manel Loureiro com o livro “O último passageiro” (Planeta, 2013) conseguiu ser o número um de vendas da Amazon no gênero terror à frente de Stephen King. Leia mais seu artigo "Dentro de Book Expo America, elmayor 'show' literario del mundo"

Leitura esportiva



Uma coisa é uma coisa

"Uma população informatizada não é forçosamente uma população culta, instruída; para que isso ocorra, será necessário, antes de tudo, que saiba ler e sinta afeição pela leitura; é necessário que o indivíduo seja capaz de penetrar o sentido de um texto, que possa exercitar-se na reflexão, a fim de captar os matizes da realidade na qual está inserido e, assim, poder analisá-la de maneira crítica. Para enfrentar a tele cibernética com uma capacidade seletiva, convém, antes de tudo, ter sido um bom leitor"

Gloria Lopes Morales

sábado, junho 7

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Um verdadeiro "Muro da Felicidade" em plena rua

Locais de perigo

Peter van Dongen
“As livrarias deveriam ser sinalizadas nos mapas como zonas perigosas. Marcadas como estabelecimentos pouco recomendáveis. Como anomalias suspeitas na geografia comercial. Ninguém sabe explicar aonde conduz uma porta de livraria. Por isso os que entram custam tanto a sair. Se perdem. Às vezes, para sempre, os livreiros são gente estranha. Abrir uma livraria! Pense, irmão. Olha à direita e à esquerda. Consulte o relógio. O carro. O que seja. Vire o pescoço. Dissimule. Vais entrar? Não brinque. Vais entrar de verdade em uma livraria?"
Manuel Rivas   

Livros salvam cidade

Portal da felicidade para os visitantes em Wigtown

O maior sebo da Escócia 
Com o fechamento nos anos 1990 da destilaria e de uma fábrica de laticínios, seus principais empregadores, a vila de Wigtown, no Sudoeste da Escócia, precisou ter recuperada sua economia. A saída foi concorrer a uma pesquisa nacional para ser a Cidade do Livro no país. Conquistado o título, há 15 anos, criaram-se financiamentos, fomentou-se a abertura de sebos e hoje abriga a maior loja de livros antigos do país com 65 mil exemplares. Wigtown, agora uma próspera vila que atrai muitos turistas, promove um festival do livro anualmente entre setembro e outubro, e já teve reaberta a destilaria Bladnoch, produzindo uísque do mais puro malte escocês.  

No último festival, Wigtown promoveu a atração de se dormir dentro do maior sebo da cidade em camas postas num espaço construído especialmente entre milhares de livros de segunda mão. O difícil para os felizardos foi saber que livro ler antes de dormir. 

Passar uma noite num sebo desejo de muita gente


sexta-feira, junho 6

Os mestres

Peale's Library - Tom Kidd











“Os livros são os mestres que nos instruem sem vara nem palmatória, sem gritos nem cólera, sem roupa nem dinheiro. Se você se aproxima deles, nunca dormem; se os questiona, não se escondem; não murmuram reprovações quando você se equivoca; não fogem de você quando ignora alguma coisa. Oh livros, os únicos liberais e livres, que dão a todo mundo o que se pede e concede a liberdade a todos que os servem com diligência"
Richard de Bury


Os Fantásticos Livros Voadores

Amor aos livros de Camilo

Velho em Londres vendendo livros na rua
“Entre as diversas moléstias significativas da minha velhice, o amor aos livros antigos – a mais dispendiosa – leva-me o dinheiro que me sobra da botica, onde os outros achaques me obrigam a fazer grandes orgias de pílulas e tisanas. E, quando cuido que me curo com as drogas e me ilustro com os arcaísmos. Arruíno o estômago e enferrujo o cérebro em uma caturrice acadêmica.
Constou-me aqui há dias que a sra. Joaquina de Villalva tinha um gigo de livros velhos entre duas pipas na adega, e que as pipas, em vez de malhaes de pau assentavam sobre missais. O meu informador denomina missais todos os livros grandes; aos pequenos chama cartilhas. Mandei perguntar à sra Joaquina se dava licença que eu visse os livros. Não só mos deixou ver; mas até mos deu todos – que escolhesse, que levasse. Examinei-os com alvoroço de bibliômano. Eles, gordurosos, úmidos, empoeirados, pareciam-me sedutores como ao leitor delicadamente sensual se lhe figura a face da mulher querida, oleosa de cold-cream, pulverizada de bismuto.
Havia sermonários latinos, um Marco Aurélio, três retóricas, muitas teologias morais, um Euclides, comentários de versões literais de Tito Lívio e Virgílio. Deixei tudo na benemérita podridão, tirante uma versão castelhana do mantuano por Diego Lopez e um muito raro “Entendimento literal e constrviçam portuguesa de todas as obras de Horacio, por industria de Francisco da Costa”, impresso em 1639.
Disse-me a dadivosa viúva de Vilhalva que os livros estavam na adega, havia mais de 30 anos.
( ...)
Saí com os livros velhos empacotados em duas bulas de 1816 e 1817, que a sra. Joaquina, com riso cético, indisciplinado, me disse serem do tempo dos Affonsinhos.
(...) Logo que cheguei a casa, entrei a folhear as páginas dos dois livros, preparado para o dissabor de encontrá-los mutilados, defeituosos, com folhas de menos, comidas pelas ratazanas colaboradoras roazes do galicismo na ruína da boa linguagem quinhentista."

(Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825/1890) na introdução de “A Brasileira de Prazins”, de 1882)   

quinta-feira, junho 5

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Puro prazer da leitura (ilustração de Julia Cejas)

A notável criação

Santiago Cornejo (Corne) humorista gráfico argentino 

“O mundo dos livros é a criação mais notável do homem. Nenhuma outra coisa que ele constrói, dura para sempre. Os monumentos caem; as nações perecem; e, depois de uma era de obscuridade, novas raças constróem outras. Mas no mundo dos livros existem obras que viram isto acontecer inúmeras vezes e ainda vivem sempre jovens, sempre novas como no dia em que foram escritas, sempre contando aos corações dos homens o que existia nos corações dos homens que morreram há séculos”   
Clarence Day 

Exposição do saber antigo

Afresco encontrado em escavações

A exposição “A biblioteca infinita: O lugar do saber no mundo antigo” está aberta até outubro no Coliseu, em Roma. São 120 estátuas, afrescos de Pompéia, relevos, algumas ferramentas e meios de comunicação por escrito que documentam a evolução dos livros e da leitura no mundo greco-romano no final da época helenística. Os objetos, na maior parte, foram descobertos em importantes escavações arqueológicas nos auditórios de Adriano, em Roma, que se iniciaram em 2008, durante a construção do metrô, e os trabalhos no Templo da Paz, também na capital italiana. Além de mapas e modelos que representam as principais bibliotecas do império romano, se destacam as estátuas em marfim de Septimo Severo e de Juliano, o Apóstata, que se presume indicavam o local de suas obras nas bibliotecas.
Acompanhe vídeo aqui La biblioteca infinita: El lugar del saber delmundo antiguo


Maquete de biblioteca do período greco-romano


Um antigo porta-papiros

quarta-feira, junho 4

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Trabalhando no cento de distribuição da Amazon
em Phoenix, nos Estados Unidos - Foto Ralph Freso