terça-feira, abril 12

Os editores já não são leitores apaixonados?

O escritor e editor alemão Michael Krüger, de 67 anos, em recente entrevista ao jornal espanhol El Pais, fala dos novos tempos para as editoras e principalmente para o livro, “organismo vivo”, que “quando bom tem vida mais longa do que o homem”. Autor publicado no Brasil, com “A última página” e “A violoncelista”, Krüger destaca a importância do editor para o livro: “O livro está à espera de um leitor. Se não aparece um, o livro morre. E os editores têm o dever de manter a obra viva”. Uma boa leitura aqui
“Todos sabem que 90% dos livros que se publicarão em 2011 não sobreviverão daqui a um ano. A maioria tem uma vida de seis meses. Os 10% restantes poderão ter uma sobrevida maior. Alguns livros, ainda que sejam importantes, são esquecidos”

Michael Krüger

segunda-feira, abril 11

Hora de poesia


A um livreiro que havia comido um canteiro de alfaces com vinagre

Gregório de Mattos (1633/1696)

Levou um livreiro a dente

De alface todo um canteiro

E comeu, sendo livreiro,

Desencardenadamente.

Porém, eu digo que mente

A quem disso o quer taxar;

Antes é para notar

Que trabalhou como um mouro,

Pois meter folhas no couro

Também é encadernar

quinta-feira, abril 7

Quem lê ganha prêmio

Maior site de vendas de livros no país, o Estante Virtual, que reúne acervos de 1.857 sebos e livreiros de 325 cidades, está lançando uma excelente campanha de incentivo à leitura. Os leitores concorrem (aqui) através de vídeos de no máximo 1 minuto sobre o tema “Toda maneira de ler vale a pena”. O primeiro colocado será premiado com viagem com acompanhante no valor de R$ 3 mil, mais R$ 300 em vale-livros. O segundo e terceiro colocados também recebem vale-livros de R$ 300 e R$ 150 respectivamente. A Estante Virtual acredita que toda maneira de ler vale a pena e divulga uma convocação da leitura com prazer.

Ler com prazer

nLeia sem seguir referências ou tendências

Quando criança, você foi ensinado que os clássicos devem ser cultuados. Já na fase adulta, teve que se acostumar com as intermináveis listas de referências bibliográficas acadêmicas e profissionais. E para completar, o mercado editorial dita, a todo momento, novas tendências literárias. Como encontrar prazer em meio a tudo isso? A resposta é simples: liberte-se! Escolha o livro que quer ler com base, unicamente, nos seus interesses, gostos e curiosidades.

nLeia sem obrigações ou metas

Na escola, você recebia uma lista obrigatória de livros e as datas das provas que avaliariam sua leitura. Assim, aprendeu a associar leitura somente à obrigação. Mas ler também pode ser sinônimo de prazer. Cada um tem o direito de ler no ritmo e na ordem que preferir: rápido ou lentamente, um livro por vez ou vários ao mesmo tempo, pular ou reler trechos, ler o final antes do começo, gostar de um livro ou mesmo abandoná-lo.

nLeia sem se limitar a lugares ou situações

Durante todos esses anos, você também aprendeu que leitura tem lugar determinado e hora certa. Mas ler é um ato que pode ser feito em qualquer lugar, dos tradicionais aos mais inusitados. A qualquer hora, todos os dias, nos finais de semana ou só quando sentir vontade.

quarta-feira, abril 6

+ Leitura de volta

O pequeno mas grande jornal de cultura de Maricá está novamente circulando no município. Nesta edição de + Leitura, a raridade dos livros na biblioteca caseira dos estudantes virou manchete. No ranking mundial, o Brasil fica em 53° lugar, penúltima posição, à frente apenas da Tunísia. Os jovens brasileiros conseguem no máximo reunir em casa dez obras literárias. Também são destaque as reportagens sobre os livros trancafiados na Biblioteca Nacional de Brasília, que há dois anos esperam os censores de segurança para serem acessados pelos leitores; a novidade dos táxis do Cairo com biblioteca para os usuários; e o alerta sobre o perigo de “desigualdade de leitura” com as novidades tecnológicas como o e-book. E ainda muito mais notícias sobre leitura, bibliotecas e livros. Quem desejar receber o + Leitura em pdf pode entrar em contato com cantodolivro@gmail.com

terça-feira, abril 5

Quando o livreiro é uma ilha

Cercado de livros por todos os lados, o livreiro sente-se uma ilha. Para cada ponto que vagueia os olhos, procura a chegada do livro “salvador”, nunca lido, sempre esperado.

segunda-feira, abril 4

História dos livros no Brasil

Os professores Aníbal Bragança e Márcia Abreu lançam no Rio de Janeiro, no dia 12, o livro “Impresso no Brasil – Dois séculos de livros brasileiros" (663 páginas, R$ 59), editado pela UNESP. O lançamento acontecerá a partir das 10 horas no Espaço Eliseu Visconti, na Biblioteca Nacional.

sábado, abril 2

Dia é do livro infantil


Hoje o livro infantil está em festa. Em mais de 60 países se comemora o Dia International do Livro Infantil, em homenagem ao nascimento do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875), o grande escritor do gênero, autor de histórias como "O patinho feio", "O soldadinho de chumbo" e a "Pequena vendedora de fósforos", entre muitas outras.

A data abre a série de comemorações que o livro recebe em abril. No dia 18, o Brasil lembra o Dia Nacional do Livro Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato. No dia 23, será o Dia Internacional do Livro, em homenagem a Miguel de Cervantes, quando na Espanha se faz o tradicional Dia de São Jorge com a distribuição de livros e rosas vermelhas.

n Mensagem da International Board on Books for Young People - 2011
O livro recorda

Aino Pervik
"Quando Arno e seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado". Em minha pátria, Estônia, quase todos sabem esta linha de cor. É a primeira linha de um livro chamado "Primavera". Foi publicado em 1912, e escrito pelo escritor estoniano Oskar Luts (1887-1953). "Primavera" é sobre as vidas das crianças que frequentaram uma escola de paróquia, na Estônia, no fim do século XIX. Oskar Luts estava escrevendo sobre sua própria infância. O personagem Arno é, na verdade, Oskar Luts quando criança. Pesquisadores estudam documentos antigos e, baseado neles, escrevem livros de história. Os livros de história falam sobre eventos que aconteceram, mas nem sempre são claros, no que diz respeito às vidas das pessoas comuns. Os livros de estórias recordam coisas que você não encontra em documentos antigos. Por exemplo, podem nos dizer o que um menino como Arno pensava quando ia à escola há 100 anos, ou o que as crianças daquela época sonhavam, do que elas tinham medo e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais das crianças, recorda o que eles queriam vir a ser, e o tipo de futuro que eles desejavam para suas crianças. Naturalmente, que também podemos escrever hoje livros sobre os tempos antigos, e eles costumam ser muito instigantes. Mas um escritor hoje não pode realmente saber sobre os cheiros e os gostos, os medos e as alegrias do passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu e o que se tornou o futuro das pessoas que viveram no passado. O livro recorda o tempo em que foi escrito. Pelos livros de Charles Dickens podemos descobrir como era realmente a vida de um menino nas ruas de Londres, em meados do século XIX - no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (os próprios olhos de Dickens naquele tempo), vemos todos os tipos de personagens que viviam, na Inglaterra, em meados do século XIX - como se relacionavam, e como seus pensamentos e sentimentos influenciaram seus relacionamentos. E também, porque David Copperfield era, de várias maneiras, o próprio Charles Dickens. Dickens não precisou inventar as coisas, ele simplesmente as conhecia. É igualmente por meio de um livro que sabemos realmente como foi para Tom Sawyer, Huckleberry Finn e seu amigo Jim viajarem pelo Mississipi, no fim do século XIX, quando Mark Twain escreveu sobre suas aventuras. Ele conhecia bem o que as pessoas daquele tempo pensavam umas das outras, porque ele viveu no meio dessas pessoas. Ele foi uma delas. Nos textos literários, os relatos mais exatos sobre os povos do passado são aqueles escritos por pessoas que viveram naquele tempo.

sexta-feira, abril 1

A diferença


Muita gente ainda não acredita que há diferença entre um vendedor de ração para cães e gatos e um livreiro. Apesar de ambos saberem tudo, ou quase tudo, sobre o produto que vendem, aí acaba a semelhança. O comerciante de ração nunca provou um tablete para saber o gosto do que vende. O livreiro sabe bem o prazer de apreciar o livro. Conhece seu cheiro, e depois, com muita calma, ainda pode saborear página por página sem qualquer contra indicação.

quinta-feira, março 31

Livros estão 'presos' em biblioteca

Pode parecer uma piada, mas um dos mais importantes acervos do país, a Biblioteca Nacional de Brasilia, com instalações que custaram R$ 42 milhões, ainda não emprestou um livro sequer do seu acervo de 100 mil volumes, que lá estão há mais de dois anos. Construída em 2006, a BN de Brasília recebeu o acervo em 2008 e apenas no ano passado conseguiu verba para instalar nos volumes sensores de segurança. A verba, no entanto, segundo a diretoria, devido à burocracia sofreu estorno. O que se estranha, e muito, é que instituições como a Biblioteca Nacional sempre disponibilizaram o acesso aos livros mesmo quando não havia sensores. Agora a biblioteca de Brasília recebendo milhares de pessoas por ano só abre espaço para a leitura de quem trouxer o livro de outras instituições para estudar ali. A notícia divulgada pela TV Bandeirantes, na última semana, ainda não teve qualquer repercussão. Veja aqui

quarta-feira, março 30

'Googleana' mas nem tanto

A cara virtual da livraria mudou. Para melhor ou pior, fica a critério do visitante. Se o "monstro" da tecnologia pode ser domado, que seja. Assim se pode falar mais e melhor de algo tão antiquado como o livro, que muitos querem extinto ou em vias de, a caminho dos antiquários como restos arqueológicos. O jeito é dar outro papel ao papel milenar para lembrar aos de hoje que o mundo não se restringe a uma telinha. E a livraria que do jornal surgiu vai render homenagem ao seu passado. "Googleano" pode ser o veículo, mas os livreiros ainda continuam sapiens.

segunda-feira, janeiro 17

Quando o livreiro é o burro

Chegou a época da compra dos livros para a escola e as barbaridades contra a literatura brasileira, principalmente, estão em ritmo acelerado. Nem adianta o livreiro demonstrar que Machado de Assis, por exemplo, morto há 102 anos, não voltou do túmulo para reescrever “Dom Casmurro”. Sequer imagine dizer que as edições nas prateleiras, apesar de editoras diferentes, mantém o mesmo texto.
As mães, muito preocupadas com o ensino dos filhos, confessam uma reverência irrestrita aos professores. Sem terem qualquer conhecimento do que estão comprando – sequer leram ou um dia lerão aquela obra -, não admitem que se compre qualquer outra edição do livro que não seja a recomendada. O cúmulo é afirmarem, com ares doutorais, que a obra foi alterada pelos editores e só aquela edição, a da lista (bem mais cara), pode ser a “original”.
Enfim, a época é dos livreiros serem os burros.

quinta-feira, janeiro 13

Filosofia de balcão

‘Livro não tem perna e anda’
O livreiro estabelece um novo princípio depois de tanto encontrar livros bem longe da estante em que deveriam estar.

quarta-feira, janeiro 12

Ainda em limpeza

O livreiro se faz estivador cultural. Nem bem se assentou o ano e haja o que carregar. Daqui pra lá, de lá para acolá, os caminhos são infindáveis mesmo em pouco espaço, mas haja estantes. É preciso arrumar. E no tira daqui e coloca ali, o livreiro vive como operário braçal. Faz por merecer um troféu, pois a livraria ganha uma limpeza que não pensava em ter.
Começamos, pois, o ano novo!

sexta-feira, outubro 29

Vão banir Lobato das escolas brasileiras

O livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, o maior nome da literatura infanto-juvenil do Brasil, pode ser banido das escolas, apesar de se destacar no mundo lobatiano como um dos textos em que mais o escritor ridicularizou a burocracia, a corrupção e a inépcia do governo. Segundo parecer do Conselho Nacional de Educação, a obra, que desde 1933 incentiva a leitura entre a garotada, conteria conteúdo racista. Entre os trechos que "condenam" Lobato estaria a frase: "Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens".
A denúncia partiu da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE apesar do próprio Ministério da Educação ter distribuído o livro para os alunos do ensino fundamental. Até decisão final do ministério, "Caçadas de Pedrinho" só poderá ser adotada nas escolas quando os professores "tiverem a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil". Mais informações aqui.
A triste notícia é divulgada no mesmo Dia Nacional do Livro em que são comemorados os 200 anos da Biblioteca Nacional, um das dez maiores do mundo, com 9 milhões de livros.

segunda-feira, outubro 18

Profissão de fé

'Quero que meu leitor lute pela liberdade'
Pedro Bandeira, escritor de literatura infantil no Brasil, onde já vendeu mais de 22 milhões de livros. Bandeira, em entrevista ao Espaço Aberto Literatura, completou ainda: "Só o conhecimento pode libertar este país"
Veja aqui

quarta-feira, outubro 13

Mochila-estante para ter livro sempre à mão

Há sempre a preocupação de como levar os livros para uma viagem. Depois de escolha demorada, resta-nos enfiar numa mochila. Mas para aqueles que se consideram homem (ou mulher)-biblioteca a novidade foi apresentada na recente Feira de Frankfurt. Pelos estandes desfilava um homem com sua mochila-estante, passeio flagrado pelo jornal El País. Uma idéia para quem deseja ter uma biblioteca, mesmo pequena, à mão durante a viagem.

terça-feira, outubro 12

Hoje é Dia da Leitura (mas só para uns poucos)

Fica difícil para a leitura concorrer com o mercantilismo do Dia da Criança e a religiosidade do Dia da Padroeira, N. Sa. de Aparecida. E como a data é feriado nacional, ainda se tem que competir com a praia debaixo de um solão e o tradicional churrasco. É quase uma celebração inglória de uns poucos lembrar o Dia da Leitura, que fica restrita àqueles abnegados para quem todo o dia é dia de ler.
(Ilustração de Mónica Carretero)

segunda-feira, outubro 11

+ Leitura agora também em PDF

Saiu a edição de outubro de + Leitura, produzido para a livraria Canto do Livro. Nesta edição a manchete fica para a biblioteca Máquina do Saber, instalada por uma indústria de veículos agrícolas e a Prefeitura de Piracicaba, em São Paulo, no terminal rodiviário, onde circulam diariamente 500 mil pessoas. Outros destaques são as cidades paulistas de Taubaté, onde nasceu Monteiro Lobato, que pretende se tornar Capital Nacional da Literatura Infantil, e Lençóis Paulista, que pode ser considerada a cidade brasileira dos livros. A cidade dos canaviais tem mais de 90 mil livros em espaços públicos para uma população de 62 mil pessoas.
Esta edição também está disponível em PDF e pode ser solicitada através do endereço cantodolivro@leitoreselivros.com.br. Este novo serviço faz parte de uma série de ações que a livraria pretende desenvolver.

sexta-feira, outubro 8

Grafiteiros 'pintam' biblioteca

A Biblioteca Municipal Professora Leonor Leite Bastos de Souza, em Maricá, mais uma vez sofre com a violência governamental do descaso. Grafiteiros, aproveitando a falta de vigilância sujaram todo o anfiteatro, que faz parte do mesmo conjunto arquitetônico, e começam a pintar as paredes externas da biblioteca sem que a Secretaria de Cultura tome qualquer providência contra o vandalismo.
Desde a inauguração em 2005, na mesma área do antigo prédio demolido, quando foi relegada aos porões da arquibancada do anfiteatro, a biblioteca se tornou a vítma cultural preferida dos governos. Com menos de 100 m², abriga um acervo constantemente atingido pelas infiltrações e goteiras em época de chuva. Sem oferecer ao público condições adequadas e salutares, além de não ter um acervo atualizado, a instituição vem perdendo livros devido aos problemas com a umidade.
(O novo atentado contra a biblioteca foi denunciado também na edição de outubro de + Leitura e ainda em artigo publicado no portal Território Livre aqui)