George Augusto havia adquirido uma biblioteca particular com mais de 5 mil volumes e, dentro de um dos livros, achou uma pérola — o poema de Mario Quintana (que, sim, apreciava que não acentuasse seu prenome, Mario). O título do poema é “Canção do Primeiro do Ano”.
O manuscrito, com 81 anos, está amarelado e contém a assinatura do poeta. Está datado de 1º de janeiro de 1941. Tudo indica que a letra é mesmo de Mario Quintana.
A Associação Amigos da Biblioteca Pública Estadual do Rio Grande do Sul comprou o livro e o manuscrito do poema, que agora pertencem a seu acervo. Decidiu-se expor o poema na Casa de Cultura Mario Quintana. Neste local, em Porto Alegre, o poeta viveu. Ele também viveu em hotéis, um deles do ex-jogador de futebol Falcão, o Rei de Roma, como era conhecido nos tempos em que jogou na Itália.
A pergunta é: por que Mario Quintana não o publicou? Teria ficado perdido no livro ou ele não aprovou sua qualidade? O vate gaúcho precisa ser mais valorizado, pois deixou uma poesia de qualidade, ainda, tudo indica, pouco examinada a sério. O bardo também precisa de uma biografia. A jornalista Eloí Calage (morava em Goiânia) estava colhendo informações e se preparando para escrevê-la, mas teve um AVC, do qual não se recuperou. Eloí Calage e Mario Quintana se adoravam e ele confiava nela para escrever uma biografia ampla e não hagiográfica.
Canção do primeiro do ano
Mario Quintana
Pelas estradas antigas
As horas vêm a cantar.
As horas são raparigas,
Entram na praça a dançar.
As horas são raparigas…
E a doce algazarra sua
De rua em rua se ouvia.
De casa em casa, na rua,
Uma janela se abria.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.
As horas são raparigas…
Passam na rua a dançar.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.
E a doce algazarra sua
De rua em rua se ouvia.
De casa em casa, na rua,
Uma janela se abria.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.
As horas são raparigas…
Passam na rua a dançar.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…
Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.
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